terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jan Huss: coragem, resistência e fé


 Por Taciano Cassimiro 

Jan Huss ( Jan Huss ) foi um pré-reformador. Para a Igreja Católica um herege disseminador dos ensinos de John Wycliffe ( 1328 – 1384 )merecedor da mesma sorte, ou seja, a morte.

Vejamos alguns pontos relacionados a vida e obra de Jan Huss, no propósito de conhecermos um pouco sobre esta “grande pequena luz ” que ousou brilhar em meio as trevas da ignorância e opressão da igreja medieval.
  
    1.    Origem e formação

Huss nasceu em 1373 em Hussinec na Boêmia hoje Republica Tcheca. De família pobre que vivia da agricultura.  O nome Hus é a abreviação do seu lugar de nascimento, feita pelo próprio, em cerca de 1399; anteriormente era conhecido como Jan Hussinec, ou, em latim, Johannes de Hussinetz.

Huss, cedo, perdeu seu pai. Sua mãe sempre o incentivou na educação formal. Não foi um aluno brilhante, no entanto conseguiu seus graus:  Em 1393 ele fez o Bacharelado em Letras, em 1394 o Bacharelado em Teologia, e em1396 O Mestrado. Muito cedo Huss recebeu proeminência. Seu temperamento quente foi essencial para enfrentar os desafios que vieram em sua vida. Fazendo uso das afirmações de Martyn L. Jones à John Knox as uso em relação a Huss “ Que faremos com esse homem? Ele foi um homem para sua era; um homem para os seus tempos. Para épocas especiais são necessários homens especiais; e Deus sempre produziu tais homens...era necessário um homem forte, um homem austero, um homem corajoso; e esse homem era Huss”.

Teve de ganhar a vida cantando e prestando serviços na Igreja. E segundo alguns historiadores Huss sentiu-se atraído pela “profissão” clerical não tanto por um impulso interior mas pela atração de uma vida tranquila como clérigo. Porém o Senhor tinha seus planos e os consumaria na vida de Huss.

    2.    Seu Ministério


Jan Huss foi ordenado ao sacerdócio em 1400. Em1401 tornou-se reitor da faculdade de Filosofia, e em 1402, Huss se tornou pregador na capela dos Santos Inocentes de Belém em Praga, onde pregava em língua checa e latim. Huss era pregador eloquente e sincero, ele atraia todas as classes, desde os mais elevados aos mais simples, e, rapidamente tornou-se um dos homens mais influentes no país. A rainha o tornou seu confessor e, ela e suas damas assistiam suas pregações.  O Papa João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado e obrigado a deixar Praga em 1411, excomungado de sua congregação, todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral que realizara foram anulados. Tal ato trouxe grande revolta aos cidadãos de Praga, os quais defenderam Huss que continuo a pregar de lugar em lugar e, geralmente, ao ar livre.
Huss defendia a pureza do clero, combatia os males da igreja, combatia a corrupção e à ostentação do clero, Huss, conquistou o apoio dos camponeses, dos artesãos e assalariados das cidades tchecas. Podemos afirmar que Huss à semelhança de Wycliffe foi essencialmente um reformador moral. Ele foi notável mais por seu elevado propósito ético do que pela especulação teológica. Huss em seu ministério defendeu a reforma da igreja baseada no exemplo de Cristo e na simplicidade apostólica.
Huss era respeitado até por seus inimigos por sua pureza, vida particular exemplar. Nas palavras de um de seus críticos sua reputação era “ pureza imaculada “.
Huss escreveu enquanto este preso a obra De Ecclesia, e também traduziu a Bíblia para sua língua materna, o tcheco.

    3.    Suas ideias teológicas

Jan Huss foi fortemente influenciado pelas ideias de Wycliffe, porém diferia em muitos pontos, geralmente em direção da moderação, e do conservadorismo.
Eis, algumas ideias defendidas por Huss:

      ·         A pregação livre da Palavra de Deus
      ·         O estudo das Escrituras
      ·         A Ceia administrada nas duas espécies ( o cálice e o pão  para os leigos )
      ·         Contra a venda de indulgências
      ·         Não era contra a sucessão apostólica, mas afirmava: “ A autoridade de Pedro permanece no Papa, desde que ele não se afaste da lei do Senhor Jesus Cristo “.
     ·         Pregava o Sacerdócio Universal dos Crentes, no qual qualquer pessoa pode comunicar-se com Deus sem a mediação sacramental e eclesial.

Na Idade Média surgiu homens intelectuais como Agostinho ( 354-430 ), Pedro Abelardo ( 1079-1142 ), Tomás de Aquino ( 1225-1274 ),  porém havia muita ignorância teológica entre o clero e membresia.

Huss viveu em um período de retorno as Escrituras, de idéias incipientes e revolucionárias, que alcançaria maiores contornos com Zwínglio, Lutero e Calvino.

    4.    Sua morte

Em 1414 Huss foi preso em Constança embora tivesse um salvo-conduto cedido por Sigismundo ( 1368-1437 ) Sacro Imperador Romano-Germânico. O Concílio de Constança ( 1414-1418 ) condenou os escritos de Wycliffe, e julgou Huss por apoiar alguns de seus ensinos. Para o Concílio Huss era um “ Wycliffe redivivus “. Huss permaneceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por fim, no dia 6 de julho de 1415, ele foi levado para a catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal de que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar a tonsura, fazendo-lhe uma cruz na cabeça. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira. A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. 
As palavras de Huss aos seus inquisidores que queriam que o reformador abandonasse suas doutrinas foram firmes:
 “ Apelo a Jesus Cristo, o único juiz todo-poderoso e totalmente justo. Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um não com base em testemunhos falsos e concílios errados, mas na verdade e na justiça”. 
Antes de ser queimado, Hus disse as seguintes palavras ao carrasco: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar." Costuma-se identificar Martinho Lutero com esta profecia (que 102 anos depois pregou suas 95 teses em Wittenberg), e costumeiramente se costuma identificá-lo com um cisne.

Após a morte de Huss sua influência não acabou, seus seguidores deram continuidade com os seguintes partidos:

 ·         Hussistas de Praga: rejeitavam só o que contradizia os ensinos da Bíblia
      ·         Taboritas: revolucionários apocalípticos que se opunham a tudo o que não estivesse na Bíblia. Alguns do grupo taborita formaram aquilo que ficou conhecido como Unitas Fratrum (Irmãos Unidos) ou Irmãos Boêmios em meados do século XV. Foi deste grupo que saiu a Igreja Morávia, que até hoje existe. A Igreja Morávia tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da história da Igreja Cristã.
       ·         Comunidade de Monte Horebe: menos apocalíptica.

Conclusão

Jan Huss servi-nos de inspiração em nossa peregrinação teológica, ministerial e prática.
Muitas são as aflições dos servos de Deus, porém fomos chamados para o serviço, para o ensino da verdade de Deus, ainda que nos custe a existência. Que o exemplo de dedicação, resistência, coragem e fidelidade de Huss, sejam por nós seguidos para glória D’aquele que nos chamou.


Louvado seja o Senhor!

Um comentário:

joserlândio Silva disse...

Parabéns Taciano Cassimiro.

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