quinta-feira, 26 de março de 2015

Amilenismo, uma abordagem resumida


Por Taciano Cassimiro

A+milênio (milenismo)= a não milênio.

Embora o termo seja um tanto infeliz, na verdade o amilenismo acredita no milênio como um período que compreende basicamente a 1º e 2º Segunda Vinda de Cristo. O amilenismo não defende um reino terreno-literal por um período de mil anos literais como defendem os Pré-Milenistas históricos e Dispensacionalistas.

Basicamente a dois tipos de Amilenismo:

(1)    O Amilenismo Clássico que considera o Reino de Deus como sendo o domínio de Deus sobre os santos que estão nos céus, fazendo do Reino de Deus um reino celestial - o Reino dos Céus.

(2)    O Amilenismo Agostiniano, que também é o ponto de vista defendido pela Igreja Católica Romana, considera o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento com respeito ao Reino, como sendo o reinado de Cristo do trono do Pai sobre a Igreja, que está na terra.

Um terceiro seria a junção do clássico e agostiniano, que considero adequado.

Características principais do Amilenismo:

1. Segunda vinda de Cristo inaugura o tempo final para crentes e não-crentes de maneira final (não intermediária como dizem os milenistas).

Defensores de um milênio literal, pré-milenistias históricos e dispensacionalistas, entendem que após a Segunda Vinda de Cristo haverá um reino de paz de Cristo na terra. Nesse período a terra não estará restaurada. A sede desse reinado será Jerusalém.

2. Os mil anos de Apocalipse 20 são simbólicos e não-literais.

Defensores das posições apresentadas no tópico, 1, defendem uma interpretação literal da passagem.

3. As duas ressurreições do texto (Ap 20) não são físicas.

Simon Kistemaker escreve “  A primeira ressurreição, então, é uma ressurreição espiritual, do mesmo modo que a segunda morte é uma morte espiritual”[1].
As correntes apresentadas no tópico, 1 , interpretam literalmente.

4. Interpretação de um modo geral não literalista

Os amilenistas são acusados de espiritualizar tudo. E isto não é verdade. Porém é verdade afirmar que os amilenistas respeitam o gênero de cada livro, logo, interpretando história como história, doutrina como doutrina e livro apocalíptico-profético como tal. Exemplo: O livro de Apocalipse exige uma leitura do contexto e consequentemente da mensagem que estava sendo transmitida por meio dos números, imagens, cores, símbolos e personagens. É de consenso entre os amilenistas que há no livro de Apocalipse elementos futuros como a Segunda Vinda de Cristo, Juízo Final e Novo céu e Nova terra e etc.

5. Pessimistas quanto ao futuro da Terra e da humanidade.

Nesse ponto eu vejo dois grupos de amilenistas:

Primeiro grupo, os pessimistas - entendem que as tribulações vão se intensificar e o mundo se tornar um lugar mais difícil de viver, mesmo com o evangelho sendo pregado.

Segundo grupo, os otimistas - acreditam que embora haja aumento de perseguição e tribulação no mundo e contra a igreja a pregação do evangelho de Jesus Cristo produzirá transformações em todas as camadas da sociedade. As tribulações sempre estiveram presentes na história do cristianismo, contudo o mesmo sempre deixou marcas profundas e produziu transformações na sociedade.

6. Iminência da segunda vinda.

Quanto à iminência também não a consenso.

Há aqueles que defendem que Jesus virá a qualquer momento. É  que o Rev. Leandro Lima e Heber Carlos Jr defendem no vídeo postado no youtube  “Academia em Debate 47”. E outros que defendem que antes da volta de Jesus alguns sinais que ainda não se cumpriram precisam se cumprir, como exemplo o surgimento do anticristo. Vale lembrar que os amilenistas são pós-tribulacionistas.


MAPA AMILENISTA





[1] Kistemaker, Simon. Comentário do Novo Testamento, pag 702. Apocalipse, 2º Edição. Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 19 de março de 2015

ACERCA DOS NOVOS CALVINISTAS



O tema é muito pertinente uma vez que acaloradas disputas e acusações faz parte do cotidiano, principalmente virtual. Sem contar nos rachas eclesiásticos Brasil a fora.

A expressão "Calvinismo" provavelmente foi usada pela primeira vez em 1552, numa carta do pastor luterano Joachim Westphal, de Hamburgo. E sem duvida Calvino não era calvinista. Porém, quando se fala em calvinismo a carga toda recai nos ombros do francês ( João Calvino ) nascido em Noyon, 10 de julho de 1509  Genebra, 27 de maio de 1564. De fato Calvino tinha uma mente extraordinária, piedade encantadora e escritor pra lá de habilidoso.  Até mesmo o teólogo holandês Jacó Armínio (10 de outubro de 1560  19 de outubro de 1609) disse acerca de Calvino na Carta escrita a Sebastian Egbertsz, "Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos”. Os seguidores de Calvino e Armínio ( quando Calvino morreu Armínio tinha 4 anos de idade ) transformaram os mesmos que nunca se conheceram em inimigos.

Mais quais são os requisitos para ser um calvinista?

Ter lido as Institutas de Calvino e seus Comentários? Ler e professar crença nas confissões? Quais confissões? De Guanabara? Francesa? Escocesa? Inglesa? Belga? Helvética? Westminster? Batista? Ou os cânones de Dort? Ou, além disso, tem que crer nos 5 ( nem 5, nem 50 ) PONTOS DO CALVINISMO? Ou se declarar cessassionista? Não podemos negar a parte da história que trás alguns reformadores e puritanos como continuístas.
Não vejo o calvinismo de forma monolítica, seja histórica ou teologicamente. Nunca existiu um “ calvinismo “ e sim “ calvinismos” no “meio” ou “entre” os “ismos” qual o verdadeiro?. Quanto a personagens calvinistas temos como exemplo Richard Baxter (Rowton - Chester, 12 de Novembro de 1615  Shropshire, 8 de Dezembro de 1691) líder puritano inglês, sacerdote, escritor, a quem Dean Stanley chamou "o chefe dos protestantes intelectuais da Inglaterra “defendia um calvinismo moderado. No mesmo ele defendia que Deus escolheu certo número de pessoas, sem rejeitar aqueles que se achegassem a ele ( Deus ). Contudo o mesmo é chamado de Calvinista por tudo e por todos. Pode isso?

Na atualidade temos visto posicionamentos de pastores calvinistas sobre assuntos tidos como característico da igreja reformada ( mas, que igreja reformada? Pois existe várias com aspectos litúrgicos e teológicos diferentes) completa ou parcialmente diferentes. Gerando assim fúria, nos mais ou menos “ortodoxos”. É importante observar, para espanto, que o tema “ser ou não ser” calvinista, “é ou não é” calvinista tem gerado perseguição, quando não, cassação de mandato. Pois, ou se ajusta acerta escola de interpretação calvinista adotada pela suposta maioria ou está fora de cena, logo não é digno de receber o título “ Calvinista”. Calvino chora.

E quanto aos Novos Calvinistas?

Os tais têm sido chamados de “híbridos”(ou seja, um ser que resulta da mistura de dois ou mais elementos) por calvinistas antigos que entende, que calvinista da gema, original, tem que ser cessassionista e membro de igreja reformada. Os novos calvinistas são em sua maioria de igrejas pentecostais. Destaque para Assembleia de Deus. Em minha última viagem à Brasília, ao chegar à Livraria Evangélica me surpreendi com o número de pastores assembleianos comprando material reformado e se declarando calvinista.  

É verdade que muitos dos novos calvinistas e alguns deles nem sabem ao certo o que isso significa, têm entrado em disputas, principalmente, na internet, sem contar o clima de guerra que alguns criam em suas congregações ( pentecostais e/ou neopentecostais, e históricas ) contribuindo infelizmente para uma aversão cada vez maior ao calvinismo.
Por outro lado, não acredito que para ser calvinista tenha que ser membro desta ou daquela denominação dita histórico-reformada.


Aos novos calvinistas aconselho como base de conduta a postura do calvinista e Rev. Geremias do Couto, Assembleia de Deus, que em entrevista ao site Teologia Pentecostal demonstrou maturidade, equilíbrio, espírito de paz, amor pela Palavra e por seus irmãos, além do que lhe é peculiar, voz pastoral.

Taciano Cassimiro, escritor,colunista e líder da Igreja Presbiteriana em Tailândia, Pará.
Bacharel em Teologia.
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