quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A SOBERANIA E A GRAÇA DE DEUS

                             Por Taciano Cassimiro
                                Esboço

          I.             O QUE SE QUER DIZER COM SOBERANIA DE DEUS?

Soberania significa governo, e a soberania de Deus significa que Deus governa sua criação com absoluto poder e autoridade. Ele determina o que vai acontecer, e acontece. Deus não fica alarmado, frustrado ou derrotado pelas circunstâncias, pelo pecado ou pela rebeldia de suas criaturas

     1.   A liberdade de Deus e do seu poder

Charles Spurgeon ( 1834-1892 ): “ Deus é independente de tudo e de todos. Ele age de acordo com Sua própria vontade. Quando Ele diz: ‘Eu farei’, o que quer que diga será feito. Deus é soberano, e Sua vontade, não a vontade do homem, será feita”.

Aspectos do soberano poder de Deus

O poder de Deus é soberanamente livre. Deus não precisa exercitar seu poder para ser o que é.

Liberdade de existência: poder de existência

Deus existe Gn 1.1

Liberdade de decisão: poder de determinação

Deus tem diante de si uma infinidade de possibilidades de “ decisões “ sobre todas as coisas; entretanto, ele “decidiu” fazer do modo como fez sem influências de ninguém, porque não necessita de conselhos Rm 11.33-36; Dn 4.34-35.

Liberdade de execução: poder executivo

Deus executa seu plano atravéz do seu poder, conforme sua vontade. Não podemos marcar hora e lugar para ele agir. Deus opera como e quando quer, dentro de suas deliberações.

Liberdade de limitação: poder autolimitante

Se Deus é todo-poderoso, pode, conforme sua vontade, mudar as regras do jogo. Modificando as leis, seus princípios de ação, seus critérios; enfim, alterar o que ele mesmo revelou e fez registrar na sua Palavra?

No livro “ Entendendo as Religiões Seculares “ de Josh McDowel e Don Stewart são feitas as seguintes perguntas:

1.    Pode Deus criar uma pedra tão pesada que nem ele consiga erguer?
2.    Pode Deus fazer com que 2+2 = 6?
3.    Pode Deus fazer com que ele mesmo deixe de existir e, então, fazer com que volte à existência?
4.    Pode Deus fazer um circulo quadrado?
O poder de Deus está sob o controle de sua sábia e santa vontade: “ Deus pode fazer tudo o que ele deseja, porém ele não deseja fazer tudo o que pode”.

II.            A SOBERANIA GRACIOSA DE DEUS NA SALVAÇÃO

A liberdade de Deus na manifestação de sua graça
A liberdade é um dos atributos da soberania. Deus é soberano, e por isso é livre na manifestação da sua graça. Se a graça não fosse livre, não seria graça; se fosse compulsória, seria obrigação. Deus tem misericórdia de quem lhe aprouve, Ex 33:19.
Definição de graça
Graça pode ser definida como favor imerecido, manifestado livre e continuamente por Deus aos pecadores que se encontravam num estado de depravação e miséria espirituais, merecendo o justo castigo pelos seus pecados. Rm 4.4; 11.6; Ef 2.8-9.
A graça e a salvação
Nossa salvação decorrente do pacto da graça, atravéz do qual Deus confiou seu povo ao seu Filho, para que este viesse entregar sua vida por ele. Cristo deu sua vida em favor de todos os que o Pai lhe confiara na eternidade. Assim todos os homens – judeus e gentios - , tanto no Antigo como no Novo Testamento, foram salvos pela graça ( Is 42.6; 2 Tm 1.9; Jo 6.39; 17. 1,6-26 ; At 15.11 ).
Mérito e graça são conceitos que se excluem Rm 11.6.
João Calvino afirmou que “ A graça divina e o mérito das obras humanas são tão opostos entre si que, se estabelecermos um, destruiremos o outro”.
Eleição
É o ato eterno de Deus pelo qual ele, em sua soberana vontade, e sem levar em conta nenhuma previsão de fé ou mérito, escolhe certo número de pessoas para receber a livre graça e a salvação eterna. A eleição é o propósito de Deus salvar certos membros da raça humana em Jesus Cristo e por meio dele.

    1.    A eleição é uma expressão da vontade livre de Deus

Calvino escreveu “ Não busquemos a causa em parte alguma, senão na vontade divina “. Notemos particularmente as expressões de quem quer e a quem lhe apraz. Paulo não permite que avancemos, além disto, “. Rm 9.11; 2 Tm 1.9.

  2.    A eleição é imutável e, portanto, torna segura e certa a salvação dos eleitos. Deus executa o decreto da eleição com eficiência, pela obra salvadora que realiza em Jesus Cristo. Rm 8.29-30; 11.29; 2 Tm 2.19

   3.    A eleição é uma decisão ocorrida na eternidade Ef 1.4-5

  4.    A eleição é incondicional. A eleição não depende de modo algum da fé ou boas obras previstas, mas exclusivamente da livre e soberana graça de Deus, que é também a origem da fé e das boas obras. At 13.48; Rm 9.11; 1 Pd 1.2 .

Confissão de Fé de Westminster Cap 3.2 9 ( Dos Eternos Decretos de Deus) afirma “Ainda que sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, Deus não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais condições”.

Confissão de Fé de Westminster Cap 10.2 ( Da Vocação Eficaz ) afirma “ Esta vocação eficaz provém unicamente da livre e especial graça de Deus, e não de qualquer coisa prevista no homem; nesta vocação, o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada”.

  5.    Aeleição é irresistível. Isto não significa que o homem não possa se opor à sua execução até certo ponto, mas significa sim, que a sua oposição não prevalecerá. Tão pouco significa que Deus, na execução do seu propósito, subjugue de tal modo a vontade do homem que sua atitude seja incoerente com a livre agência humana. Significa, porém, que Deus pode exercer tal influência sobre o ser humano que o leva a querer o que Deus quer. ( Sl 110.3; Fp 2.13 ).

  6.    Devemos considerar outro aspecto da doutrina da eleição, que é a decisão soberana de Deus de não levar em conta outras pessoas, não as salvando.

Segundo Sproul precisamos prestar atenção entre os decretos positivos e negativos de Deus:

1.    O decreto positivo tem a ver com a intervenção ativa de Deus nos corações dos eleitos;

2.    O decreto negativo tem a ver com Deus deixando de lado os não-eleitos.

Novamente a Confissão de Fé de Westminster no Cap 10.4 

Os não eleitos, ainda que chamados pelo ministério da Palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito, contudo jamais chegam a Cristo e, portanto, não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio os que não professam a religião cristã, por mais diligentes que sejam em padronizar suas vidas de acordo com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; asseverar e manter que o podem é muito pernicioso e detestável”.


A Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1333. Traz o seguinte comentário:
Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus com relação àqueles pecadores que não foram escolhidos para a vida. Não os escolhendo para a vida, Deus determinou que eles não fossem transformados. Eles continuarão em pecado e, finalmente, serão julgados por aquilo que tiverem feito. Em alguns casos, Deus pode ir mais longe e remover as influências restritivas que protegem uma pessoa da desobediência extrema. Esse abandono, chamado de endurecimento, é, em si mesmo, uma penalidade do pecado (Rm 9.18; 11.25 conforme Sl 81.12; Rm 1.24,26,28). 

A reprovação é ensinada na Bíblia (Rm 9.14-24; 1Pe 2.8), porém como uma doutrina, seu significado sobre o comportamento cristão é indireto. O decreto de Deus sobre a eleição é secreto; quais pessoas são eleitas e quais são reprovadas não será revelado antes do Juízo Final. Até aquele tempo, Deus ordena que o chamado ao arrependimento e a fé sejam pregados a todos.



O esboço pode ser utilizado e publicado, ou adaptado para estudos por todos os interessados em transmitir As Grandes Doutrinas da Graça. 

Fonte:
Fundamentos da Fé Reformada - Herminstein Maia
Teologia Sistemática - Franklin Ferreira
Entendendo as Religiões Seculares - Josh McDowel e Don Stewart
Redenção Particular - Charles Spurgeon

2 comentários:

Rescator disse...

Parabéns Pastor gostei muito!

Antônio Braz de Freitas disse...

muito bom Pr Taciano!!!

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