segunda-feira, 17 de setembro de 2012

EXPOSIÇÃO DA EPISTOLA DE JUDAS


Por Taciano Cassimiro
Esboço da palestra de 16 de Setembro de 2012, IPB de Tailândia-PA

Michael Green
 "O esquecimento do ensino e das
advertências de Deus na Escritura é uma das causas principais da
deterioração espiritual."
 
De fato Judas é um texto ignorado e estranho. Ignorado talvez por ser um texto curto, escondido entre tantos outros livros e de entendimento um pouco difícil. Estranho, por citar com frequência textos apócrifos: Livro de Henoc; Assunção de Moisés; Testamento dos Doze Patriarcas, e segundo alguns estudiosos Judas bebeu na fonte conhecida como Testamento de Moisés, principalmente, no versículo 16.

Agora vem a pergunta, Por que foi aceita como livro inspirado?  Ela aparece pela primeira vez como texto canônico em torno do ano 180 ( quase um século depois de escrita ), e o motivo mais importante parece ter sido a “ carona “ que ganhou da segunda carta de Pedro.

O critério, portanto, parece ter sido este: o fato de Pedro citar a carta de Judas é prova suficiente para que Judas seja considerada texto inspirado.

Autoria e Data
Sabemos que este era um nome comum entre os judeus, temos: Judas Macabeu que organizou a revolta judaica ( 166-160 a. C ); Judas Iscariotes que foi discipulo de Jesus, este aparece sempre em ultimo lugar e sempre identificado como traidor ( Lc 6.16; Mt 10.4 ); Judas chamado de Galileu, chefe de rebelião na província da Galiléia contra a presença dos romanos Em 6 d.C ( At 5.37 ); e Judas de Damasco, habitante da rua direita na cidade de Damasco, onde o apóstolo Paulo ficou hospedado. (Atos dos Apóstolos 9,11).
Os estudiosos de acordo com a tradição afirma ser Judas o irmão do Senhor Jesus o autor da carta.
A carta era aceita como autorizada por Atanásio ( 298-373 d.C ) e pelo Concílio de Cartago ( 28 de Agosto de 397 d.C ).
A epistola de Judas provavelmente entrou em circulação entre os anos 70 e 80, alguns afirmar ter sido no ano 75 d.C.

A quem se destinava?
A semelhança com as cartas de João são imensas, porém, isto não significa dizer que Judas estava escrevendo para a mesma comunidade.
O fato de Judas citar constantemente o Antigo Testamento e a textos judaicos apócrifos nos leva a crer que a comunidade em sua maioria era composta por judeus.


Exposição

V.1 e 2 –
* O escritor se identifica como sendo Judas, servo de Jesus Cristo. Embora sendo irmão, se apresenta como um servo do Reino de Cristo.
*Judas faz algumas afirmativas iniciais:
“ ...os que foram chamados’, também são “guardados” em Cristo Jesus.
Temos aqui princípios básicos da Fé Reformada “ Eleição e Perseverança dos Santos”.
Quanto a ELEIÇÃO a Confissão de Fé de Westminster, capitulo 3, seção 5, diz:  Segundo o seu eterno e imutável propósito, e segundo o santo conselho e beneplácito de sua vontade, antes que fosse o mundo criado, Deus escolheu em Cristo, para a glória eterna, os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.

Quanto a Perseverança dos Santos, capitulo 17, diz: 1. Os que Deus aceitou em seu Amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até ao fim, e estarão eternamente salvos.
2. Esta perseverança dos santos depende, não do próprio livre-arbítrio deles, mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da semente de Deus neles, da natureza do pacto da graça e de tudo o que gera também a sua exatidão e infalibilidade.



Isto nos ajuda a entender a firmeza doutrinária de Judas, não estou afirmando que Judas tivesse em mente o termo calvinismo, e de fato não tinha,porém, o que o calvinismo defendeu no século XVI, nossos primeiros pais já defendiam no primeiro século.

V 3 e 4 – Escrever, mudança de assunto, perigos na vida da igreja
1.      Judas queria escrever sobre a fé comum ( oração, vida comunitária )
2.      Mudança brusca de conteúdo ( agora é guerra )
3.      Perigos na vida da igreja:
Indivíduos se introduziram na congregação, e seus ensinamentos tinham duas vertentes:
1.      Eram libertinos, verdadeiros antinomistas, contrários a lei de Deus. Repudiavam qualquer tipo de restrição moral ( praticavam o homossexualismo e prostituição ) por acreditar que as consequências das ações por meio do corpo não trariam mal ao espírito.
2.       Negavam ao Senhor, sua deidade. 

Ameaça gnóstica:
O gnosticismo nos dias de Judas era embrionário, com o tempo tornou-se um dos maiores desafios do cristianismo. No segundo século Irineu de Lião ( 130-200 d.C ) escreveu “ Adversus Haereses ( 180-185 )“ para refutar os ensinos gnósticos que eram basicamente: a matéria é má e o espírito é bom, necessidade de conhecimentos especiais ( Jesus lhes passou informações secretas nos 40 dias após a ressurreição ). Irineu pregou o retorno as Escrituras afirmando que a mensagem de Cristo está nos evangelhos.
Nos dias de Judas basicamente os gnósticos negavam a deidade do Senhor. Judas deixa bem claro que Jesus é o Senhor, que Jesus é Deus.

Aplicação: Os perigos da busca por revelações especiais, sede do oculto e misterioso. A Bíblia é a voz de Deus, é o sopro de Deus. Theópneustos – é a união de duas palavras gregas: theós ( Deus ) e Pneuma ( sopro, espírito ). Por isso quando estamos lendo a Bíblia estamos ouvindo Deus falar ( soprar ) em nossos corações. Não é uma experiência mágica, como muitos que procuram a voz de Deus em muitos lugares menos na sua Palavra. Mas é o ensino escrito do Espírito Santo ministrando nos corações apresentando os propósitos e planos de Deus para a salvação do homem.

3.      V. 5  - 7 – Exemplos da história: Certeza de castigo:
     1.  Israelitas tirados do Egito v 5
     2.  Os anjos v.6
     Teses:
Os três principais pontos de vista sobre a identidade dos filhos de Deus são: 1) eles eram anjos caídos, 2) eram poderosos governantes humanos, ou 3) eles eram descendentes devotos de Sete se casando com os descendentes ímpios de Caim.
    3. Sodoma e Gomorra v.7

V. 8 – 13 O perfil desses falsos mestres
São Sonhadores, impuros, difamadores de autoridades superiores ( eclesiásticas ou espirituais ), corrompidos, pastores de si mesmos.
O caminho que eles trilham, não é o de Cristo, embora estejam na comunidade cristã:
1.      Caminho de Caim – morte, violação da fraternidade ( Gn 4.3,4; Nm 22.1-35; 1 Jo 3.12 )
2.      Caminho de Balaão – cobiça, lucro e imoralidade      ( 2 Pd 2.15; Cl 3.5; Ap 2.14 )
3.      Caminho de Coré – Insubordinação e revolta             ( Nm 16.1-35; 3 Jo 9,10 )

Os falsos mestres terão o mesmo destino, é certo o castigo.


Nesse ponto vale acrescentar um texto de Karl Barth, sobre o
falso profeta, transcrito do Informativo Liderança Cristã, publicado
pela Visão Mundial:
"O falso profeta é o pastor que agrada a todo mundo. Seu
dever é dar testemunho de Deus, mas ele não vê a Deus e prefere
não o ver porque vê muitas outras coisas. Segue seus
pensamentos humanos, conserva-se interiormente calmo e seguro,
evita habilmente tudo quanto incomoda. Não espera senão poucas
coisas ou mesmo nada da parte de Deus. Pode calar-se, mesmo
quando vê homens atravancando seus caminhos de pensamento,
de opiniões, de cálculos e de sonhos falsos, porque eles querem
viver sem Deus. Retira-se sempre quando devia avançar. Comprazse
em ser chamado pregador do evangelho, condutor espiritual e
servidor de Deus, mas só serve aos homens. Sonha, às vezes, que
fala em nome de Deus, mas não fala a não ser em nome da Igreja,
da opinião pública, das pessoas respeitáveis e da sua pequena
pessoa. Ele sabe que desde agora e para sempre os caminhos que
não começam em Deus não são caminhos verdadeiros, mas não
quer incomodar nem a si mesmos, nem aos outros; por isso é que
pensa e diz: 'Continuemos prudentemente e sempre alegres em
nossos caminhos atuais; as coisas se arranjarão.' Ele sabe que
Deus quer tirar os homens da impiedade e que a luta espiritual
deve ser travada. No entanto, prega a 'paz', a paz entre Deus e o
mundo perdido que está em nós e fora de nós. Como se tal paz
existisse! Sabe que seu dever consiste em proclamar que Deus cria
uma nova vontade, uma nova vida; mas não, ele deixa reinar o
espírito do medo, do engano, de Mamom, da violência — a muralha
construída pelo povo (Ez 13.10), o muro oscilante e manchado. Ele
o disfarça pintando de cores suaves e consoladoras da religião para
o contentamento de todo o mundo. Eis aí o falso profeta."

V. 14 – 19 -  O surgimento dos falsos mestres era previsto
1. Enoque anunciou a ruína deles v 14 – 16
2. Os apóstolos também previram 17 – 19

A igreja não foi pega de surpresa, a mesma tinha sido avisada, e deveria está preparada.

V. 20 – 23 – Exortação às comunidades
1. Construir sobre o alicerce da fé
2. Orar movidos pelo Espírito
3. Manter-se no amor de Deus, esperando a vida eterna
4. Convencer os vacilantes
5. Salvar uns, arrancando-os do fogo
6. Ter compaixão de outros, com temor
7. Detestar até a roupa contaminada dos ímpios

V. 24-25 - DOXOLOGIA

A Bíblia de Estudo Genebra em seu comentário dos versiculos 24 e 25: À semelhança de Romanos 16.25-27, a conclusão de Judas é uma doxologia que expressa confiança no poder de Deus para preservar o seu povo  até o fim e que reconhece a eterna grandeza de Deus em sua " glória, majestade, domínio e poder".

Rei e Senhor, Deus, que tiveste misericórdia de mim, Rei todo-poderoso e compassivo, todos os teus eleitos precisam de ti, assim como os ramos precisam da videira, como o olho precisa da luz. Sem a videira, os galhos murcham e quando falta a luz, tudo escurece. Assim te invoco em humildade, ó todo-poderoso, gracioso, glorioso triúno Deus.

Monge Gottschalk, 805-868

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