sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Acerca dos 497 anos da Reforma Protestante

Por Taciano Cassimiro

A Reforma Protestante foi sem dúvida um dos acontecimentos históricos mais impactantes. A Reforma tem como ponto de partida o dia 31 de outubro de 1517 ocasião em que Martinho Lutero (1483-1546), padre, da ordem de Santo Agostinho, afixou na porta Catedral de Wittemberg as conhecidas 95 teses.

A Reforma não surgiu com o desejo de dividir a igreja. Seu propósito era reconduzir a igreja aos ensinos do Novo Testamento, era trazer a igreja ás Escrituras. Pois, principalmente no período medieval que começa no século V até XV a igreja se desviou de forma fragorosa dos ensinos de Cristo e dos apóstolos. Podemos apontar alguns dos desvios: Corrupção moral, venda de indulgências (perdão e misericórdia mediante pagamento), cobrança dos sacramentos, venda de relíquias sagradas, venda de cargos no clero e ignorância religiosa dos padres.
Diante deste quadro surgiu homens chamados historicamente de pré-reformadores, John Wycliffe ( 1328 – 1384 ) e John Huss ( 1369 – 1415 ), que denunciaram os erros da igreja, e enfatizaram a importância de colocar a Bíblia na linguagem do povo, estes foram mortos pela igreja acusados de heresia.

No cenário surge aquele que seria conhecido como o pai da Reforma, Martinho Lutero, que enfatizou as denúncias feitas pelos pré-reformadores. Lutero desejava ver a igreja reformada moralmente e teologicamente, não desejava dividi-la. A divisão foi consequência da dureza da igreja em não reconhecer seus erros e abusos. Em suma Lutero defendeu a salvação pela fé em Cristo somente, tradução da Bíblia, leitura e livre exame da mesma. Outros reformadores ocupam grande espaço na história da reforma como Ulrico Zwínglio (1484-1531) em Zurique, João Calvino ( 1509 – 1564 ) o grande reformador francês radicado na Suiça, John Knox ( 1514 – 1572 ) na Escócia. Estes foram grandes exemplos de amor e busca pela verdade. Longe estavam de ser perfeitos, no entanto demonstraram amor pela igreja e pela verdade contida nas Escrituras ainda que isso lhes custasse a liberdade e a vida.

Hoje 31 de outubro comemorasse o dia da reforma, mas na verdade o que temos a comemorar? Precisamos pensar sobre isso!

Pra bem da verdade a maior parcela das ditas igrejas evangélicas abraçam, flertam, adoram tudo aquilo que os reformadores combateram. Hoje igrejas evangélicas vendem em nome de Deus o que deveria ser pela graça, barganham benefícios espirituais, tapetes de fogo, sal grosso, campanhas (prosperidade e saúde) mágicas, e tudo isso reflexo da ignorância bíblica-teológica vigente entre os protestantes, parece que estamos voltando a Idade Média. O povo protestante cada vez mais, conhece menos de doutrina, de teologia ( alguns ainda preservam a ideia de que teologia é desnecessário, e quem a estuda não tem unção. Lamentável ). Acrescentamos a lista a corrupção moral, brigas políticas, guerras por cargos eclesiásticos, pastores que compram e não pagam ( velhaco ). As coisa andam bem complicadas.

Precisamos resgatar o legado deixado pelos reformadores, ou seja, amor pela verdade, pelas Escrituras, precisamos voltar a fonte, precisamos render-se a Deus. É preciso reconhecer que necessitamos urgentemente abandonar a idolatria gospel, as superstições, a negligência ao estudo da Bíblia e de outras ciências ( examinar tudo é necessário ). Precisamos viver de forma santa, firmados na Palavra, e assim protestar contra o estado de coisas que contraria os princípios do Reino de Deus. Afinal de contas desde 1529 somos conhecidos como protestantes.


Viva a Reforma Protestante!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jan Huss: coragem, resistência e fé


 Por Taciano Cassimiro 

Jan Huss ( Jan Huss ) foi um pré-reformador. Para a Igreja Católica um herege disseminador dos ensinos de John Wycliffe ( 1328 – 1384 )merecedor da mesma sorte, ou seja, a morte.

Vejamos alguns pontos relacionados a vida e obra de Jan Huss, no propósito de conhecermos um pouco sobre esta “grande pequena luz ” que ousou brilhar em meio as trevas da ignorância e opressão da igreja medieval.
  
    1.    Origem e formação

Huss nasceu em 1373 em Hussinec na Boêmia hoje Republica Tcheca. De família pobre que vivia da agricultura.  O nome Hus é a abreviação do seu lugar de nascimento, feita pelo próprio, em cerca de 1399; anteriormente era conhecido como Jan Hussinec, ou, em latim, Johannes de Hussinetz.

Huss, cedo, perdeu seu pai. Sua mãe sempre o incentivou na educação formal. Não foi um aluno brilhante, no entanto conseguiu seus graus:  Em 1393 ele fez o Bacharelado em Letras, em 1394 o Bacharelado em Teologia, e em1396 O Mestrado. Muito cedo Huss recebeu proeminência. Seu temperamento quente foi essencial para enfrentar os desafios que vieram em sua vida. Fazendo uso das afirmações de Martyn L. Jones à John Knox as uso em relação a Huss “ Que faremos com esse homem? Ele foi um homem para sua era; um homem para os seus tempos. Para épocas especiais são necessários homens especiais; e Deus sempre produziu tais homens...era necessário um homem forte, um homem austero, um homem corajoso; e esse homem era Huss”.

Teve de ganhar a vida cantando e prestando serviços na Igreja. E segundo alguns historiadores Huss sentiu-se atraído pela “profissão” clerical não tanto por um impulso interior mas pela atração de uma vida tranquila como clérigo. Porém o Senhor tinha seus planos e os consumaria na vida de Huss.

    2.    Seu Ministério


Jan Huss foi ordenado ao sacerdócio em 1400. Em1401 tornou-se reitor da faculdade de Filosofia, e em 1402, Huss se tornou pregador na capela dos Santos Inocentes de Belém em Praga, onde pregava em língua checa e latim. Huss era pregador eloquente e sincero, ele atraia todas as classes, desde os mais elevados aos mais simples, e, rapidamente tornou-se um dos homens mais influentes no país. A rainha o tornou seu confessor e, ela e suas damas assistiam suas pregações.  O Papa João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado e obrigado a deixar Praga em 1411, excomungado de sua congregação, todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral que realizara foram anulados. Tal ato trouxe grande revolta aos cidadãos de Praga, os quais defenderam Huss que continuo a pregar de lugar em lugar e, geralmente, ao ar livre.
Huss defendia a pureza do clero, combatia os males da igreja, combatia a corrupção e à ostentação do clero, Huss, conquistou o apoio dos camponeses, dos artesãos e assalariados das cidades tchecas. Podemos afirmar que Huss à semelhança de Wycliffe foi essencialmente um reformador moral. Ele foi notável mais por seu elevado propósito ético do que pela especulação teológica. Huss em seu ministério defendeu a reforma da igreja baseada no exemplo de Cristo e na simplicidade apostólica.
Huss era respeitado até por seus inimigos por sua pureza, vida particular exemplar. Nas palavras de um de seus críticos sua reputação era “ pureza imaculada “.
Huss escreveu enquanto este preso a obra De Ecclesia, e também traduziu a Bíblia para sua língua materna, o tcheco.

    3.    Suas ideias teológicas

Jan Huss foi fortemente influenciado pelas ideias de Wycliffe, porém diferia em muitos pontos, geralmente em direção da moderação, e do conservadorismo.
Eis, algumas ideias defendidas por Huss:

      ·         A pregação livre da Palavra de Deus
      ·         O estudo das Escrituras
      ·         A Ceia administrada nas duas espécies ( o cálice e o pão  para os leigos )
      ·         Contra a venda de indulgências
      ·         Não era contra a sucessão apostólica, mas afirmava: “ A autoridade de Pedro permanece no Papa, desde que ele não se afaste da lei do Senhor Jesus Cristo “.
     ·         Pregava o Sacerdócio Universal dos Crentes, no qual qualquer pessoa pode comunicar-se com Deus sem a mediação sacramental e eclesial.

Na Idade Média surgiu homens intelectuais como Agostinho ( 354-430 ), Pedro Abelardo ( 1079-1142 ), Tomás de Aquino ( 1225-1274 ),  porém havia muita ignorância teológica entre o clero e membresia.

Huss viveu em um período de retorno as Escrituras, de idéias incipientes e revolucionárias, que alcançaria maiores contornos com Zwínglio, Lutero e Calvino.

    4.    Sua morte

Em 1414 Huss foi preso em Constança embora tivesse um salvo-conduto cedido por Sigismundo ( 1368-1437 ) Sacro Imperador Romano-Germânico. O Concílio de Constança ( 1414-1418 ) condenou os escritos de Wycliffe, e julgou Huss por apoiar alguns de seus ensinos. Para o Concílio Huss era um “ Wycliffe redivivus “. Huss permaneceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por fim, no dia 6 de julho de 1415, ele foi levado para a catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal de que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar a tonsura, fazendo-lhe uma cruz na cabeça. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira. A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. 
As palavras de Huss aos seus inquisidores que queriam que o reformador abandonasse suas doutrinas foram firmes:
 “ Apelo a Jesus Cristo, o único juiz todo-poderoso e totalmente justo. Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um não com base em testemunhos falsos e concílios errados, mas na verdade e na justiça”. 
Antes de ser queimado, Hus disse as seguintes palavras ao carrasco: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar." Costuma-se identificar Martinho Lutero com esta profecia (que 102 anos depois pregou suas 95 teses em Wittenberg), e costumeiramente se costuma identificá-lo com um cisne.

Após a morte de Huss sua influência não acabou, seus seguidores deram continuidade com os seguintes partidos:

 ·         Hussistas de Praga: rejeitavam só o que contradizia os ensinos da Bíblia
      ·         Taboritas: revolucionários apocalípticos que se opunham a tudo o que não estivesse na Bíblia. Alguns do grupo taborita formaram aquilo que ficou conhecido como Unitas Fratrum (Irmãos Unidos) ou Irmãos Boêmios em meados do século XV. Foi deste grupo que saiu a Igreja Morávia, que até hoje existe. A Igreja Morávia tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da história da Igreja Cristã.
       ·         Comunidade de Monte Horebe: menos apocalíptica.

Conclusão

Jan Huss servi-nos de inspiração em nossa peregrinação teológica, ministerial e prática.
Muitas são as aflições dos servos de Deus, porém fomos chamados para o serviço, para o ensino da verdade de Deus, ainda que nos custe a existência. Que o exemplo de dedicação, resistência, coragem e fidelidade de Huss, sejam por nós seguidos para glória D’aquele que nos chamou.


Louvado seja o Senhor!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Neemias, sensível a realidade de seu povo


Por Taciano Cassimiro

Liderar não é tarefa das mais fáceis, disso todos sabemos. Muitas vezes não nos faltam conhecimentos seja teológico, sociológico ou filosófico. Porém falta-nos sensibilidade para chorar, lamentar e ir ao encontro do necessitado que chora e geme. Parece que isso é tarefa difícil.

Neemias foi um líder sensível a realidade de seu povo. Seu nome significa “ Javé conforta “ surgiu no período persa e liderou um grupo que voltou do cativeiro para Jerusalém, onde foi governador e realizou reformas profundas. Tais reformas contêm elementos espirituais, morais e vivenciais, e que sem dúvida devem ser aplicados por nós, em nossas vidas e ministérios.

Neemias foi um líder sensível a realidade do seu povo. Ao saber que os que não foram levados cativos estavam em grande miséria e desprezo ( Ne 1.3; 2.1-2 ) ele ficou triste, pediu autorização para ver de perto a situação de seus conterrâneos. Sua sensibilidade não era meramente contemplativa, pelo contrário, foi quebrantadora e ativa. Neemias uma vez sabendo do sofrimento do seu povo entrou em ação, lutou e consolou o povo. Ele sente as dores e o pecado de seu povo e busca ao Senhor em demonstração de dependência total.

Nós, líderes no século XXI precisamos conhecer as dores e sofrimentos do nosso povo. Chorar os nossos pecados e pecados de nosso povo. Conhecer somente a necessidade, conhecer somente a letra, e não fazer nada para amenizar a dor, para transformar a história pela e com a Palavra é um atentado contra a própria Palavra de Deus.

Que sejamos mais próximos do povo, que conheçamos suas dores e feridas, e assim em nome D’aquele que tem o poder de curar e restaurar a sorte, sejamos instrumentos de bênção, e não sejamos achados na conta daqueles que tem tempo suficiente para apascentar a si mesmo desprezando as ovelhas do Senhor.

Meditemos:
       E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?

Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.
As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.

As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse.

Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas;

Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto.

Ezequiel 34:1-10


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Reforma Protestante, de NOVO?

Por Taciano Cassimiro

Todo ano a mesma discussão. A igreja moderna precisa ou não de Reforma? Uns dizem que sim e outros não. Sem contar que nesse período acirra-se as velhas discussões entre arminianos e calvinistas.

É claro que não podemos e não devemos esquecer da situação da igreja, principalmente durante a Idade Média (corrupção do clero e da doutrina, simônia, inquisição, venda de indulgências e relíquias sagradas) que culminaram com os esforços dos conhecidos pré – reformadores, John Wycliff, John Huss, até os reformadores Martinho Lutero, Ulrico Zwínglio, João Calvino, John Knox entre outros.

Também não podemos ignorar o estado atual da igreja. Parece até que a igreja protestante se transformou naquilo que jurou combater. Clero corrompido, desvio doutrinário, simônia, venda de favores celestes, música gospel humanista, venda de objetos sagrados ( santinhos, águas ungidas ) e até inquisição, embora sem fogueiras e instrumentos de tortura à semelhança da Idade Média.

Pois bem, estamos em outubro e agora voltamos a falar sobre Reforma Protestante de novo. Que este momento seja bem aproveitado por igrejas e líderes, que haja uma séria e profunda reflexão no tocante a vontade de Deus revelada nas Escrituras. E que de fato venhamos a colocar em prática os princípios estabelecidos na Palavra de Deus, e fortemente defendido pelos reformadores ainda que com excessos e erros de várias natureza.

A reflexão e estudo da história não é para fazermos tudo do jeito que eles fizeram, mas para evitar os erros que foram cometidos, e dá sequência aos pontos que acertaram.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

AS CAUSAS DA REFORMA SEGUNDO IRWIN ISERLOH


Lutero teve lá seus defeitos, mas não é possível negar que muitas de suas críticas foram legítimas. Até mesmo estudiosos católicos como Irwin Iserloh enfatizam que a Igreja da época da Reforma vivia um momento de decadência moral sem precedentes:

1) Os Papas do renascimento: Alexandre VI (1492-1503),
Julio II (1503-1513), Leão X (1513-1521), não possuíam a força espiritual necessária para fazer frente aos acontecimentos.  Leão X, por exemplo, se caracterizou pela falta de convicções e de seriedade; 

2) A precária situação do clero e do povo: A busca de honras e dinheiro era regra geral na instituição eclesiástica, que caminhava junto com o abandono da pastoral do povo pelos prelados e presbíteros. Tal situação causou no povo um ressentimento contra a Igreja, que muitas vezes foi considerada uma "potência estrangeira"; 

3) Falta de clareza dogmática e perversão da vida religiosa: O campo de verdade e erro não foi definido claramente. Por exemplo, Lutero ainda era considerado parte da Igreja quando o papa era apelidado de Anticristo. Em relação com a eclesiologia havia uma enorme confusão doutrinária, causado pelas teorias papais e anti-papais que proliferaram a partir do século XIV. O mesmo pode ser dito sobre os sacramentos. A teologia dos séculos XIV e XV não abordou a questão da missa de maneira adequada. O ensino sobre a doutrina da Eucaristia limitava-se a considerar a questão da transubstanciação do ponto de vista da filosofia da natureza.


Fonte: VILANOVA, Evangelista. Historia de la teologia Cristiana, p. 217,218.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Lança o teu pão sobre as águas?



               Por Taciano Cassimiro  
          
         O que significa a alusão de Eclesiastes 11:1
             "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás".
           

 Vejamos algumas possibilidades: 

1. “ dá pão aos que estão aflitos “

2.  " semeia o teu trigo sem esperança de fazer a ceifa “

3. “ mostra o desinteresse na tua liberalidade “

4. “ ser generoso o quanto podes “

5. “ tende uma grande em fé em Deus; procedei nas vossas dádivas e esforços como o lavrador que semeia nas águas o arroz, e espera pela colheita, a plantação de arroz fica inundada desde o tempo da sementeira até perto da colheita “.
O texto embora simples possibilita vários entendimentos como foi possível  observar. Algumas notas de rodapé de Bíblias de Estudos faz um esforço pra lançar luz sobre a passagem.
> Bíblia Anotada de Charles Caldwell Ryrie - " Uma expressão metafórica, extraída do comércio de cereais numa cidade portuária marítima, ilustrando as perspectivas de sucesso de empreendimentos comerciais ousados".

> Bíblia de Jerusalém - " Alguns interpretes pensam na isca lançada à água pelo pescador, que a retira da boca do peixe; outros pensam no comércio marítimo. Nesta série de sentenças sobre o risco, pode-se perceber a atitude que Coélet deseja a seu discípulo. Ele não quer desencorajá-lo na busca da felicidade, mas, ao preveni-lo dos imprevistos, quer tirar-lhe as ilusões. Afinal, é preciso arriscar-se".

> Bíblia Edição Pastoral, ao comentar os versículos de 1 a 6 - " Na vida é preciso ser prudente, mas também arriscar. Como só Deus conhece o mistério da vida, o discernimento ajuda pelo menos a tatear, a fim de descobrir o que fazer no lugar e momentos certos ".

> Bíblia de Estudo de Genebra - " Possivelmente, uma referência ao comércio de cereais que Salomão fazia por meio marítimo".

Quase todas as interpretações são viáveis, porém, somente uma é a correta. É preciso também considerar que todas podem estarem erradas.
Qual delas é a sua?

Autor: Líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia no Pará. Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Rio de Janeiro
 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

VOTO DE MINERVA



Na Mitologia Grega, Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado de tê-la assassinado. 
No julgamento havia empate entre os jurados, cabendo à deusa Minerva, da Sabedoria, o voto decisivo. 
O réu foi absolvido, e Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

DICA DE LIVRO - BRECHA EM NOSSA SANTIDADE


sábado, 12 de julho de 2014

SE SEU FILHO FOSSE GAY?



Essa foi pergunta que um homoafetivo, muito meu amigo, me fez recentemente num papo muito descontraído.
 Mas, a pergunta é muito séria.

Antes de responder:

Sou líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia no Estado do Pará. Pai de dois filhos, John, 15, e Caio, 6. Tenho os criado com base na palavra de Deus, cercando-os de amor, carinho, dialogo e compreensão. Não sei se sou o melhor pai, mais tento ser o melhor que posso. Meu filho John me ajuda bastante nas atividades da igreja, e também aproveita seu tempo livre para jogar futebol, vídeo game e outras atividades. Caio é uma comédia em pessoa, cheio de perguntas e ideias mirabolantes. A me ver estudando algum livro volumoso, sempre me pergunta – pai esse livro é de Teologia Sistemática. Nessas horas não sei se rio ou se choro de alegria. São dois filhos, meus amores, minha vida, e não consigo imaginar minha existência sem a energia de um e a preguiça do outro.

Pois bem, respondi ao meu querido amigo que:

     1.       Continuaria amando meu filho;
     2.       Continuaria ensinando os princípios cristãos com muito amor e dedicação;
     3.       Abominaria toda e qualquer forma de preconceito a ele;
     4.       Não o colocaria para fora de casa ( abomino essa atitude cometida por muitos pais );
     5.       Não o colocaria para fora da igreja ( embora creia que alguns crentes prefeririam vê-lo bem longe );
     6.       Deixaria ciente de que não gozaria dos privilégios previstos pela Constituição da igreja, por entendermos que a homoafetividade contrária os princípios da palavra de Deus;
     7.       Continuaria amando meu filho.

Uma palavra

Acredito que esse é um tema “ Homoafetividade “ que a igreja não pode ignorar. É incrível, é de assustar, como temos dificuldades de lidar com isso nas congregações. Aceitamos os mentirosos, falsos irmãos, as politicagens eclesiásticas nojentas. Mas rejeitamos na prática alguém que se assuma gay. A própria igreja cria as condições para que o homoafetivo sinta-se mal e pule fora. Cadê a nossa fé na ação do Espírito por meio da Palavra?

Entendo que não devemos negociar jamais os princípios do Reino de Deus. No entanto, não precisamos ser desumanos, agressivos, intolerantes a ponto de não acolhê-los com carinho e amor. Precisamos aprender a lidar com a realidade. Criar condições, alternativas, para estabelecermos uma atmosfera de dialogo, mais sempre deixando claro os princípios do reino, e as consequências de viver fora deles.

Abraços fraternos

Taciano Cassimiro

sexta-feira, 11 de julho de 2014

OS DESINGREJADOS - Breve Reflexão

Por Taciano Cassimiro


Escreverei pouco sobre o assunto, e de forma muito simples, com base no que vejo acontecer ao meu derredor.

É comum encontrarmos pessoas que estão decepcionadas com Deus e com igreja ( no caso instituição ). Também é comum ouvir ou ler dessas pessoas argumentos bem elaborados, assim como elaboramos razões para não deixar de ir à igreja. Sem duvida a influência do ex-pastor presbiteriano, Caio Fábio, tem contribuído para que muitos cristãos outrora igrejados, sejam agora desingrejados. E não faltam acusações, que de alguma forma tente justificar o fenômeno: igreja ( instituição ) é lugar de hipócrita, o sistema é humano, o sistema é desumano, não existe amor entre os irmãos, os pastores são corruptos, e a lista não para.

Com base em justificativas do tipo é criado um polo, os desingrejados, onde pelo que parece não há hipocrisia, falta de amor, corrupção, mau testemunho. Percebe-se que ingenuamente ou propositalmente esquecem-se do ensino bíblico que diz que “o coração do homem é enganoso “.

O membro da igreja que pastoreio, Josivan Carvalho, publicou em sua pagina do Facebook “Falar que todo desigrejado é um herege rancoroso, é o mesmo que dizer que todo pastor é ladrão, todo padre é pedófilo, todo político é corrupto e todo facebukeano é burro”. Concordo com ele no que trata do absoluto. Porém é inegável afirmar que a muito rancor, muita heresia e às vezes até burrice. Assim como à dentro da igreja, também a fora dela. E uma coisa que percebo é que no Brasil tudo que cheira a algo libertário, religiosamente revolucionador, que caminha contra a boa tradição bíblica-histórica é sempre bem vindo. É preciso ter cuidado, pois nem tudo que reluz é ouro.

Como lidar com essa realidade?

Entendo que declarar guerra não resolve o problema. Atacar as heresias provenientes de tal movimento, somente, não resolve a questão. É preciso refletir seriamente. Descobrir as razões do fenômeno com base nas Escrituras, sem ignorar os fatos da experiência, ou seja, as coisas que acontecem dentro da igreja como: políticas eclesiásticas, perseguição, adoração a Mamom, ditadura, opressão e supressão, intolerância que de fato machuca e muitos por não saberem lidar emocional e espiritualmente passam a entender que saindo da igreja (instituição ) o problema será resolvido. “ Não podemos fechar os olhos para estes fatos.

Precisamos orar mais, ser mais tolerantes, dialogar mais, sem deixar de sermos fiéis as Escrituras. Defendo com unhas e dentes o congregar na instituição, não em qualquer instituição ( não entenda instituição de forma banal ) embora já tenha tido inúmeras razões para sair dela. Mas não sou inimigo dos assim chamados “sem igreja” é meus irmãos em Cristo, e rogo que possamos juntos crescer em Cristo Jesus, de preferência sem deixar de ir a Igreja (Instituição).

Forte abraço aos meus irmãos e amigos de perto e de longe, de dentro ou de fora da instituição, porém, jamais fora de Cristo!

Líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia-PA
Servo de Deus e servo do povo de Deus.

Obs. Meus contatos estão disponíveis em minha pagina.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

ESTUDO SOBRE O PECADO: O que é pecado, Origem e Consequências.

Por Taciano Cassimiro


INTRODUÇÃO
Pecado, embora esteja em evidencia na sociedade moderna, não costuma ser um tema popular, pra não dizer agradável. Entre os cristãos o tema também  não é muito bem vindo. Certa ocasião ministrava uma série de palestras sobre o assunto.Quando notei que uma irmã e dois irmãos deixaram de vir a igreja. Procurei saber o motivo. Ao visita-los as respostas foram – o senhor anda muito bravo, ficamos constrangidos, aborrecidos, então pra não pecar prefiro ficar em casa. Outro afirmou - gostamos mais quando o senhor faz a gente ri, fala de amor e alegria. Reações como essas são comuns quando a mensagem da realidade do pecado é pronunciada.
 No entanto devemos ser fiéis Aquele que nos chamou, e como dizia o puritano John Owen (1616-1683) “  o pecado precisa ser vigiado e resistido “.  Também não podemos esquecer que estamos alimentando ovelhas, e não entretendo os bodes.

I.            O QUE É PECADO?

Millard J. Erikison nos dá a seguinte definição “ Qualquer ação, atitude ou disposição que fracasse em cumprir ou alcançar de modo completo os padrões da justiça de Deus. Pode ser uma transgressão real da lei de Deus ou uma falha em viver segundo as normas suas normas”.[1]
O teólogo sistemático reformado Louis Berkhof[2] (1873-1957) cujas obras têm sido muito influentes na teologia calvinista da América do Norte e da América Latina nos trás as seguintes definições em hebraico e grego:.
HEBRAICO
     ·         Chatta `th – pecado como um efeito que erra o alvo e que consiste num desvio do caminho certo.
      ·         Avel e `Avon – indicam que é uma falta de integridade e retidão, uma saída da vereda designada.
     ·         Pesha – uma revolta ou uma recusa de sujeição à autoridade legítima, uma positiva transgressão da lei, e um rompimento da aliança.

As palavras gregas do Novo Testamento correspondentes, como hamartia,  adikia, parabasis, paraptoma, anomia e paranomia e outras, indicam as mesmas ideias.
O Catecismo Maior de Westminster[3] na pergunta, 24. Que é pecado? Define da seguinte forma: Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou a transgressão de qualquer lei por Ele dada como regra, à criatura racional. Rom. 3:23; 1 João 3:4; Gal. 3:10-12.
Segundo Santo Agostinho, o pecado é "«uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor.
A Igreja Católica Apostólica Romana formulou uma lista de pecados no final do século VI, durante o papado de Gregório Magno conhecidos como os Sete Pecados Capitais[4], são eles:1. Luxúria: apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia. 2. Gula: comer somente por prazer, em quantidade superior àquela necessária para o corpo humano.
3. Avareza: apego ao dinheiro de forma exagerada, desejo de adquirir bens materiais e de acumular riquezas. 4. Ira: raiva contra alguém, vontade de vingança. 5. Soberba: manifestação de orgulho e arrogância.
6. Vaidade: preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros. 7Preguiça: negligência ou falta de vontade para o trabalho ou atividades importantes.
Biblicamente encontramos os pecados de Comissão e Omissão:
Comissão – quando fazemos deliberadamente o que não devíamos fazer, 1 Jo 3.4
Omissão – quando deixamos de fazer o que deveríamos,Tg 4.7
Também é interessante notar que a Bíblia apresenta a lista de “ sete pecados “ destestáveis: “ Há seis coisas que o Senhor detesta; sim, há sete que ele abomina: 1 olhos altivos, 2 língua mentirosa, e 3 mãos que derramam sangue inocente; 4 coração que maquina projetos iníquos, 5 pés que se apressam a correr para o mal; 6 testemunha falsa que profere mentiras, e 7 o que semeia contendas entre irmãos” Pv 6.16-19.  
Em suma pecado na Bíblia é:
Ø  Transgressão da lei 1 Jo 3.4
Ø  Falta de conformidade Gl 3.10,12
Ø  Deixar de fazer o bem Tg 4.17
Ø  É ausência de santidade 2 Co 7.1; Ap 4.8

II.           ORIGEM DO PECADO
Agora chegamos a um dos pontos mais polêmico do estudo, pois como explicar a origem do pecado. Como ele se originou? Quem cometeu o primeiro pecado? Deus? o diabo? Ou o homem?
A Enciclopédia  Histórico-Teológica ao tratar do assunto diz o que segue “ A origem do pecado realmente é um mistério e está ligada com o problema do mal. A história de Adão e Eva não oferece-nos uma explicação totalmente satisfatória do pecado nem do mal ( não foi essa a intenção da história ), mas recentemente lança luz sobre a dificuldade humana universal. Essa história nos conta que antes do pecado humano havia o pecado demoníaco que forneceu a ocasião para a transgressão humana. A teologia ortodoxa, tanto católica como protestante, fala de uma queda dos anjos antes da queda do homem, atribuída ao abuso do dom divino da liberdade. O consenso geral entre os teólogos ortodoxos é que o mal moral ( o pecado ) monta o palco para o mal físico ( as desgraças naturais ), mas o modo exato como aquele provoca este provavelmente permanecerá sempre um assunto de especulação humana[5].
    1.   Deus não é o autor do pecado
Louis Berkhof diz “ O decreto eterno de Deus evidentemente deu a certeza da entrada do pecado no mundo,mas não se pode interpretar io de modo que faça de Deus a causa do pecado no sentido de ser ele o seu autor responsável. Esta ideia é claramente excluída pela Escritura”[6]. A Confissão de Fé de Westminster[7] no capítulo V – DA PROVIDÊNCIA faz a seguinte afirmação “IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensarão mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17.
    2.   O Pecado se originou entre os anjos
É praticamente consenso entre os teólogos que o pecado tem sua origem no mundo angelical, antes de Adão ser formado. Alguns na tentativa de esclarecer a questão propõem que Is 14.12-13 e Ez 28.11-19 refere-se à queda de Satanás num período ante-Adão.
É o caso de J. Dwigtht Pentecost em seu Manual de Escatologia[8], que fazendo uso da passagem citada intitula “ O reino universal desafiado “ e diz o que segue”... Um estudo cuidadoso dessas observações levará a conclusão de que cada fase do pecado original de Satanás foi um ato de rebelião contra a autoridade constituída de Deus, motivado pelo desejo cobiçoso de apropriar-se daquela mesma soberania...”.
Embora concorde que o pecado se originou no mundo angélico não defendo que as passagens de Isaías e Ezequiel estejam se referindo a Satanás. Vejo tal interpretação um tanto malabarista ( usa-se dos textos somente o que interessa para defender a teoria ), esforçando-se para afirmar o que o texto não afirma.
Quanto ao tipo de pecado que ocasionou a queda dos anjos o texto de 1 Tm 3.6 lança luz ao dizer “.. não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo.”. Logo, seria o pecado de orgulho.
    3.   A origem do pecado na história ou raça humana
É bem mais fácil tratar do pecado e sua origem na história da humanidade uma vez que temos muitos textos que tratam do assunto. É possível caminhar com mais luz.
O texto de Gn 2 e 3 nos permite entender que Adão foi posto no paraíso como nosso representante. O problema é que Adão pecou, desobedeceu a uma ordem direta de Deus, Gn 2.16-17; 3.6.
Adão representou a todos nós pela sua desobediência e pecado. O que ele fez foi, com efeito, o que toda a sua posteridade, todos e cada um de nós, fez. Thomas Manton expressa isto deste modo: “vimos o fruto proibido com seus olhos,apanhamo-lo com suas mãos, comemos com sua boca; isto é, fomos arruinados por aquelas coisas como se tivéssemos estado lá e consentido com seus atos[9].
O relato de Gênesis 3, nos oferece todos os elementos que constituíram a entrada do pecado na raça humana, que sem duvida podemos afirmar foi por um ato Livre de Adão, Rm 5.12.
A Confissão de Fé de Westminster ajuda-nos a ampliar nosso entendimento no capítulo VI - DA QUEDA DO HOMEM, DO PECADO E DO SEU CASTIGO e parágrafo I, ensina: Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória. Gen. 3:13; II Cor. 11:3; Rom. 11:32 e 5:20-21.

III.        CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
Em sua Teologia Sistemática Charles Hodge ao falar das consequências da queda apresenta o que segue “ As consequências desse ato de desobediência foram: 1. Um senso imediato de culpa e de vergonha. 2. O desejo e o esforço para ocultar-se da face de Deus. 3. A denúncia e imediata execução do justo juízo de Deus sobre a serpente, sobre o homem e sobre a mulher. 4. A expulsão do jardim do  Éden e a proibição de aproximar-se da Árvore da Vida[10].
A Confissão de Fé de Westminster mais uma vez fornece-nos ricas considerações sobre as consequências do pecado nos parágrafos que segue, eis: II. Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma.Gen. 3:6-8; Rom. 3:23; Gen. 2:17; Ef. 2:1-3; Rom. 5:12; Gen. 6:5; Jer. 17:9; Tito 1:15; Rom.3:10-18.
III. Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária. At. 17:26; Gen. 2:17; Rom. 5:17, 15-19; I Cor. 15:21-22,45, 49; Sal.51:5; Gen.5:3; João3:6.
IV. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais. Rom. 5:6, 7:18 e 5:7; Col. 1:21; Gen. 6:5 e 8:21; Rom. 3:10-12; Tiago 1:14-15; Ef. 2:2-3; Mat. 15-19.
Na Confissão de Fé de Westminster Comentada por A.A. Hodge[11] ao comentar os parágrafos acima temos as seguintes sentenças:
Parágrafo II
  1.    Que por este pecado eles foram imediatamente cortados da comunhão com Deus.
  2.    Que consequentemente perderam sua justiça original.
  3.    Ao mesmo tempo, se tornaram mortos em pecado e totalmente corrompidos.
  4.    Que essa corrupção moral se estendeu a todas as faculdades e partes da alma e do corpo.
Parágrafos III e IV
  5.    Que adão foi a cabeça natural e federal de toda a humanidade.
  6.    Que consequentemente a culpa ou responsabilidade pelas consequências penais daquele pecado foi imputada, lançada na conta de todos os homens, e atualmente aplicada sobre todos os homens desde seu nascimento.
  7.    Que consequentemente a corrupção moral, que resulta do afastamento penal do Espírito Santo de Deus no caso de nossos primeiros paias, é necessariamente comunicada a todos os de sua descendência que são produzidos por geração ordinária.
  8.    Esta depravação hereditária inata da alma é total, pois por meio dela somos totalmente indispostos, incapazes e antagônicos a todo bem e totalmente inclinados ao mal.
  9.    Desta depravação moral inata procedem todas as transgressões subsequentes.
A doutrina do pecado e suas consequências é uma pagina dolorosa da história da raça humana, é o retrato perfeito da alienação, evasiva e loucura humana. Ao fazer tal afirmação somos imediatamente remetidos as palavras do profeta Isaías 59.1-2Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça”.

CONCLUSÃO
Nesse estudo vimos a definição de pecado, origem do pecado e as consequências do pecado. Assim, entendemos que não podemos brincar de pecar, brincar com o pecado, pois já conhecemos as consequências. Precisamos mais do que nunca levar esse tema a sério começando por nós mesmos. É hora de despertarmos do sono, Rm 13.11-14  “ E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes. A noite é passada, e o dia é chegado; dispamo-nos, pois, das obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias e bebedeiras, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências”. 


Autor: Líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia no Pará. Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Rio de Janeiro


OBS. Estudo simples cujo objetivo é contribuir para o crescimento em graça e conhecimento dos servos de Deus.
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[1] Conciso Dicionário de Teologia Cristã. Erickson, J. Millard, pg 125.
[2] Teologia Sistemática. Berkhof, Louis, pg 214. 4º Ed. Revisada, São Paulo: Cultura Cristã,2012.
[3] O Catecismo Maior de Westminster, formulado pela Assembleia de Westminster, no século XVII, é um catecismo de orientação calvinista, composto de 196 questões. Junto da Confissão de Fé de Westminster e do Breve Catecismo, compõe os símbolos de fé das igrejas presbiterianas ao redor do mundo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Catecismo_Maior_de_Westminster
[4] http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/sete_pecados_capitais.htm
[5] Elwell, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã VOL III. Pg 110-111. SREVN 1º Ed. 1990.
[6] Teologia Sistemática. Berkhof, Louis, pg 204. 4º Ed. Revisada, São Paulo: Cultura Cristã,2012
[7] A Confissão de Fé de Westminster foi elaborada a partir de julho de 1643, e concluída em fevereiro de 1649. Nesse período houve 1163 reuniões do plenário e centenas de reuniões de comissões. O parlamento inglês tinha como objetivo preparar uma nova base de doutrina, forma de culto e governo eclesiástico. A CFW é um pequeno manual de teologia bíblica com 33capítulos.
[8] Pentecost, J. Dwigtht. Manual de Escatologia, pg 442,443.
[9] Hulse, Erroll. Quem foram os puritanos, e o que eles ensinaram? Pg 224.
[10] Hodge, Charles. Teologia Sistemática. Pg 576
[11] Hodge, A.A.  Confissão de Fé de Westminster Comentada. Pg 153,155.