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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CRISTANDADE DESMORONANDO

A cristandade está desmoronando não por causa do Cristo das Escrituras, mas por causa daqueles que o dizem representar. O cristianismo como o conhecemos está absolutamente comprometido com o poder, com o controle sobre os fies, sobre suas finanças, com a politica dita eclesiástica, e manutenção da influência pessoal ou grupo.

Em conversa com um pastor, diretor de uma autarquia, ao tratarmos da politicagem que se faz pela influência politica e conquista de cargos, de posições estratégicas na " igreja " o mesmo me respondeu que " ..é um mau necessário, se nós pastores não fizermos isso os pastores mal intencionados reinarão ". Tal raciocínio é estranho ao Evangelho de Jesus.
Por ideal quem detêm o poder religioso fala de uma igreja que já não existe, e de um Evangelho que não é o de Jesus.
Taciano Cassimiro

terça-feira, 17 de novembro de 2015

EVANGELHO DE MARIA MADALENA



É um texto a princípio estranho, com início parabólico. Expressões que nos lembram os evangelhos canônicos como " a paz esteja convosco ", " Recebei minha paz “, “ O Filho do Homem está dentro de vós “ esta última nos remete aos títulos messiânicos e a natureza humana de Cristo.

O texto ainda tem falas atribuídas a Cristo que é um tanto estranha Jesus disse: "Não há pecado ; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'”. O Evangelho de Madalena também contêm palavras de ânimo e conforto aos discípulos. Os mesmos são encorajados a continuar a obra de Cristo na certeza de que o mesmo estará sempre com eles.

Na parte final temos Maria Madalena respondendo as indagações de Pedro: “Pedro disse a Maria: "Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos." A resposta de Madalena é carregada de conceitos difíceis de relacionar com os Evangelhos canônicos. Inteiramente baseado em uma visão que a mesma tivera onde a alma luta contra potências ( ex. ignorância ), e ao chegar na quarta potência a mesma se transforma em 7 formas, são elas: “A primeira forma, trevas; a segunda, desejo; a terceira, ignorância,; a quarta, é a comoção da morte; a quinta, é o reino da carne; a sexta, é a vã sabedoria da carne; a sétima, a sabedoria irada”.

Diante da fala de Madalena o apóstolo André diz “Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam ideias estranhas". Pedro diz não acreditar e enfatiza: "Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Maria em seguida “"Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?". Nesse momento Levi ( Mateus ): “respondeu a Pedro: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem”.

O texto termina com os discípulos saindo para pregar o Evangelho cheio de ânimo.

O texto atribuído a Maria Madalena nos mostra uma mulher muito próxima do Senhor, importante na vida dos discípulos a ponto de consola-los, anima-los e redireciona-los a missão de pregar o Evangelho.

O texto tem características gnósticas, ênfase em ensinamentos secretos. A leitura tendenciosa ou deturpada do texto levou estudiosos a concluir que Maria Madalena foi esposa de Jesus e líder do cristianismo pós a ressurreição de Cristo.



quarta-feira, 22 de abril de 2015

A IGREJA E O ESTADO

                                                  
Por Taciano Cassimiro

D. MARTIN LLOYD-JONES (1899-1981) foi um pregador galês, popular e influente, com grandes dons intelectuais, serviu numa congregação da Igreja Presbiteriana de Gales em Aberavon, Port Talbot, de 1927 a 1938, e em seguida à congregação independente na Westminster Chapel, Londres, primeiro como auxiliar e depois como sucessor de G. Campbell Morgan (1863-1945). Jubilou-se em 1968, mas continuou dedicado a pregação itinerante até pouco antes de sua morte.

O texto básico do opúsculo é Efésios 5.3-5

Algumas lições do livreto:

1.  O objetivo do cristianismo e tornar-nos santos e inculpáveis na presença de Deus;

   2.      Por corrermos o perigo de não aplicar a fé cristã a nós mesmos, mas sim de contentar-nos somente em desfrutá-la de maneira teórica;

    3.      O perigo do antinomianismo: bem, não importa muito, portanto, o que eu faço. Se a minha salvação final e certa e garantida, posso viver como eu quiser. Esse é o perigo particular que correm os homens e mulheres que têm o melhor entendimento da verdade;

   4.      O cristianismo é pra ser vivido em cada detalhe de nossas vidas, nos detalhes mais comuns da vida, em tudo que fazemos;

   5.      A vida cristã é o combate da fé. Necessitamos de toda armadura de Deus; temos de vigiar e orar; temos de compreender que estamos cercados de inimigos e perseguidores visíveis e invisíveis, alguns deles dentro de nós, e durante todos os dias nós temos que está alerta;

   6.      E o fato de não fazermos o que é mal, é porque somos santos, e porque estamos no reino de Cristo e de Deus.


Ao tratar da relação Estado e Igreja propriamente dito LIoyd Jones faz as seguintes declarações:

   1 .      Deus está agindo hoje no mundo por meio de duas esferas, a esfera da igreja e do estado;

   2.      Ambas as esferas se destinam em funcionar segundo os métodos e meios que lhes são designados , e jamais deveria haver confusão entre elas;

   3.      A Igreja Cristã não é um Departamento ou Secretária do Estado;

  4.      O erastianismo é uma negação da mensagem cristã. O Estado não está acima da Igreja. A Igreja não é simplesmente uma das atividades do Estado. A Igreja não pertence a mesma esfera do Estado; ela é o reino de Cristo e de Deus! E sempre devemos lutar por essa distinção.

  5.      Se os cristãos querem ajudar o Estado, a melhor maneira é pela pregação de um evangelho que produza tanto cristãos que o Estado terá que dar atenção ao que nós dizemos.

   6.      Não cabe ao Estado pregar; o dever do Estado é usar a espada; é governar; é fazer as leis do parlamento; é punir e ensinar aos homens que se eles não responderem como devem a uma correta visão da vida, merecerão castigo, e certamente o receberão. A graça e a lei não podem se misturar; não pertencem a mesma esfera.

   7.      Que o Estado continue com as suas atividades. Entretanto que não haja confusão de pensamento; doutro modo, haverá fracasso em ambas as esferas.

   8.      O que estou criticando é a confusão das esferas da Igreja e do Estado.

E Excelente opusculo, recomendo aos interessados em saber qual deve ser a relação entre Estado e Igreja.






   

O drama da fé autêntica

Por Taciano Cassimiro

É um livreto publicado pela Editora Paulinas, 69 paginas, contém 17 divisões, muito bem escrito, de fácil leitura e entendimento. O escritor faz uma exposição excelente do Salmo 22 explorando de forma precisa os termos originais, e fazendo as aplicações de forma objetiva. 

De todos os comentários sobre o Salmo 22 este foi o melhor que já li, e recomendo aos estudantes da Bíblia, principalmente, aos apaixonados pela leitura dos Salmos. O livreto é de fato muito edificante. 

Trecho do livro:
 O Salmo 22 é uma das orações de Israel que parece contrariar certas idéias pré-concebidas sobre Deus e sobre o ser humano. Sobre Deus porque – onipotente e bondoso – permanece demasiado silencioso diante da dor, colocando seu amigo “no pó da morte” antes de lhe responder. Sobre o ser humano – imagem do bom Deus – porque pode revelar-se uma besta selvagem para seu irmão!
         Precisamente porque alguns de seus versos parecem confirmar-se na pessoa de Jesus de Nazaré, a maioria dos comentaristas cristãos através dos séculos viu neste salmo uma profecia direta da paixão do messias. Mas também a exegese dos rabinos de Israel reconheceu no salmo a descrição da paixão do povo escolhido, continuamente torturado e morto, mas também continuamente restituído à vida.
         Estamos, portanto, diante de um poema religioso que estimula variadas interpretações, as quais parecem encontrar seu fundamento na própria linguagem utilizada pelo salmista, rica em imagens, símbolos, evocações, provocações.

O autor Walter Eduardo Lisboa é mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontificio Instituto Bíblico de Roma.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Henrique Martin 1781 – 1812

Por Taciano Cassimiro

Henrique Martin, pastor e missionário anglicano foi um daqueles que costumamos chamar de “gigante na fé”. Sua vida de fé, piedade e serviço serve-nos de inspiração e exemplo, que deve ser seguido por todos os combatentes da fé. Sua história não foi muito diferente dos demais lutadores da fé. Mesmo formando-se com méritos, desistiu da carreira de advogado, para dedicar-se as Missões, principalmente, depois de ouvir um sermão sobre o “ Estado Perdido dos Pagãos “.

FRASES DE H.MARTIN
·        “...parece...que posso orar para sempre sem nunca cansar. Quão doce é andar com Jesus e morrer por Ele..”
·        “ Que eu seja uma chama de fogo no serviço divino “
·        “ Se eu viver ou morrer, que Cristo seja magnificado pela colheita de multidões para Ele “
·        “ Um moribundo, pregando aos moribundos “
·         “ Agora, Senhor, quero arder até me consumir inteiramente por Ti “.
Henrique Martin era homem piedoso, costumava levantar-se cedo para desfrutar da comunhão com Deus, amava ler as Escrituras Sagradas. Sua vida foi grandemente influenciada pela história de dedicação e pioneirismo de Guilherme Carey (1761-1834) na Índia. Assim, decidiu ser missionário na Índia. Seu ministério também foi influenciado pelo testemunho de David Brainerd (1718-1741), o “ Grande Arauto aos peles-vermelhas “.

Martin enfrentou diversas dificuldades: os costumes pagãos, cultos aos demônios e forte perseguição. Parecia até que Martin era “ vizinho do inferno “,. Além disso, o mesmo encontrava-se longe da família, distante de sua noiva, e lutava contra a tuberculose que ardia no seu peito.

Seu ministério na Índia foi muito difícil, mesmo diante da falta de frutos, não deixou de pregar, e não abandonou seu projeto de traduzir as Escrituras. Como fruto do seu trabalho conseguiu traduzir porções das Sagradas Escrituras para as línguas de uma quarta parte de todos os habitantes do mundo. O Novo Testamento em hindu, hindustão e persa e os evangelhos em judaico-persa são apenas uma parte de suas obras.

Como pregador, sua mensagem era simples, e sempre se dirigia como “um moribundo, pregando aos moribundos”. Ele possuía a simplicidade dos verdadeiros servos de Deus.

Depois de seis anos e meio de ministério na Índia. Durante uma viagem faleceu Henrique Martin aos 31 anos de idade. Sua vida, seu exemplo de fé e dedicação despertou muitos filhos de Deus para a obra missionária.

De fato Henrique Martin foi um grande servo de Deus, um gigante incansável na obra do Senhor:
            Na sua vida de oração,
            Fidelidade ao chamado de Deus,
            Simplicidade como pregador,
            Dedicação a seara, e espírito desbravador,
Sirva-nos de inspiração em nossas vidas e ministérios, que o Espírito Santo nos ajude a sermos “ Uma Luz Gasta Inteiramente por Deus “, como foi nosso irmão Henrique Martin.

Fonte: Heróis da Fé e adaptado ( comentários ) 


quinta-feira, 19 de março de 2015

ACERCA DOS NOVOS CALVINISTAS



O tema é muito pertinente uma vez que acaloradas disputas e acusações faz parte do cotidiano, principalmente virtual. Sem contar nos rachas eclesiásticos Brasil a fora.

A expressão "Calvinismo" provavelmente foi usada pela primeira vez em 1552, numa carta do pastor luterano Joachim Westphal, de Hamburgo. E sem duvida Calvino não era calvinista. Porém, quando se fala em calvinismo a carga toda recai nos ombros do francês ( João Calvino ) nascido em Noyon, 10 de julho de 1509  Genebra, 27 de maio de 1564. De fato Calvino tinha uma mente extraordinária, piedade encantadora e escritor pra lá de habilidoso.  Até mesmo o teólogo holandês Jacó Armínio (10 de outubro de 1560  19 de outubro de 1609) disse acerca de Calvino na Carta escrita a Sebastian Egbertsz, "Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos”. Os seguidores de Calvino e Armínio ( quando Calvino morreu Armínio tinha 4 anos de idade ) transformaram os mesmos que nunca se conheceram em inimigos.

Mais quais são os requisitos para ser um calvinista?

Ter lido as Institutas de Calvino e seus Comentários? Ler e professar crença nas confissões? Quais confissões? De Guanabara? Francesa? Escocesa? Inglesa? Belga? Helvética? Westminster? Batista? Ou os cânones de Dort? Ou, além disso, tem que crer nos 5 ( nem 5, nem 50 ) PONTOS DO CALVINISMO? Ou se declarar cessassionista? Não podemos negar a parte da história que trás alguns reformadores e puritanos como continuístas.
Não vejo o calvinismo de forma monolítica, seja histórica ou teologicamente. Nunca existiu um “ calvinismo “ e sim “ calvinismos” no “meio” ou “entre” os “ismos” qual o verdadeiro?. Quanto a personagens calvinistas temos como exemplo Richard Baxter (Rowton - Chester, 12 de Novembro de 1615  Shropshire, 8 de Dezembro de 1691) líder puritano inglês, sacerdote, escritor, a quem Dean Stanley chamou "o chefe dos protestantes intelectuais da Inglaterra “defendia um calvinismo moderado. No mesmo ele defendia que Deus escolheu certo número de pessoas, sem rejeitar aqueles que se achegassem a ele ( Deus ). Contudo o mesmo é chamado de Calvinista por tudo e por todos. Pode isso?

Na atualidade temos visto posicionamentos de pastores calvinistas sobre assuntos tidos como característico da igreja reformada ( mas, que igreja reformada? Pois existe várias com aspectos litúrgicos e teológicos diferentes) completa ou parcialmente diferentes. Gerando assim fúria, nos mais ou menos “ortodoxos”. É importante observar, para espanto, que o tema “ser ou não ser” calvinista, “é ou não é” calvinista tem gerado perseguição, quando não, cassação de mandato. Pois, ou se ajusta acerta escola de interpretação calvinista adotada pela suposta maioria ou está fora de cena, logo não é digno de receber o título “ Calvinista”. Calvino chora.

E quanto aos Novos Calvinistas?

Os tais têm sido chamados de “híbridos”(ou seja, um ser que resulta da mistura de dois ou mais elementos) por calvinistas antigos que entende, que calvinista da gema, original, tem que ser cessassionista e membro de igreja reformada. Os novos calvinistas são em sua maioria de igrejas pentecostais. Destaque para Assembleia de Deus. Em minha última viagem à Brasília, ao chegar à Livraria Evangélica me surpreendi com o número de pastores assembleianos comprando material reformado e se declarando calvinista.  

É verdade que muitos dos novos calvinistas e alguns deles nem sabem ao certo o que isso significa, têm entrado em disputas, principalmente, na internet, sem contar o clima de guerra que alguns criam em suas congregações ( pentecostais e/ou neopentecostais, e históricas ) contribuindo infelizmente para uma aversão cada vez maior ao calvinismo.
Por outro lado, não acredito que para ser calvinista tenha que ser membro desta ou daquela denominação dita histórico-reformada.


Aos novos calvinistas aconselho como base de conduta a postura do calvinista e Rev. Geremias do Couto, Assembleia de Deus, que em entrevista ao site Teologia Pentecostal demonstrou maturidade, equilíbrio, espírito de paz, amor pela Palavra e por seus irmãos, além do que lhe é peculiar, voz pastoral.

Taciano Cassimiro, escritor,colunista e líder da Igreja Presbiteriana em Tailândia, Pará.
Bacharel em Teologia.

domingo, 16 de novembro de 2014

ACERCA DAS CONTROVÉRSIAS CRISTIANAS ( CRISTIANISMO )


Por Taciano Cassimiro

Pasme ou não as controvérsias no cristianismo nasceram muito cedo. Já no primeiro século os apóstolos e presbíteros reuniram-se para tratar de assuntos concernentes a lei e ingressão dos novos conversos a fé em Cristo, Concílio de Jerusalém ( At 15 ). Após o período apostólico as mais diversas controvérsias surgiram, destacamos: a novaciana ( sobre o perdão de pecados graves após o batismo ); a donatista ( sobre a natureza da igreja, todos devem ser rebatizados e fazerem parte do donatismo ); o ebionismo ( Jesus é filho de José e Maria, mas foi adotado por Deus. Conhecemos essa crença como adocionismo ). Nesse período  grandes teólogos surgiram: Justino Mártir ( 100-165 ); Basílio, O Grande, de Cesaréia ( 370-379 ), e Agostinho de Hipona ( 354-430 ) um dos maiores teólogos e filósofos da igreja que lutou contra o pelagianismo, o donatismo e o maniqueísmo que dentro de seu sistema de crença defendia o dualismo, bem vs mal. Essa crença anda muito presente nos círculos evangélicos, a ponto de as vezes se ter a impressão, de que não pode existir Deus sem o diabo, pois tudo que se fala tem o coisa ruim no meio.

Nos períodos conciliares a igreja travou embates sobre doutrinas que hoje são aceitas por nós como fundamentais, e sua importância é tão relevante que a aceitação ou não de tais doutrinas (Trindade, Cristo verdadeiro homem e verdadeiro Deus, união hipostática das naturezas, O Espírito Santo é Deus verdadeiro ) são determinantes para afirmarmos ser um seguimento seita herética ou não. Dentre os concílios que ao todo foram vinte e um (incluo os concílios pós Reforma), destacamos o de Nicéia ( 325 ); Constantinopla ( 381 ) e Éfeso ( 431 ) por terem tratados de assuntos basilares de extrema importância como a natureza de Cristo e sua divindade entre outros.

Na Reforma Protestante as controvérsias continuaram: batismo ( aspersão, imersão, batismo infantil ); governo da igreja ( presbiteriano, episcopal ou congregacional );  doutrina da predestinação e livre-arbítrio; o sacramento da ceia ( transubstanciação, consubstanciação, simbólica ou espiritual ). Nesse período de não pouca duração destacamos alguns personagens como Martinho Lutero ( 1483-1546 ); João Calvino ( 1509-1564 ); Jacó Armínio ( 1560-1609 ). Da Reforma até nossos dias temos ainda  Willian Perkins, Jonathan Edwards, Charles Hodge, Karl Barth, John Gresham Machen, George Lad, Roger Olson e tantos outros.

Pois bem, meu propósito foi mostrar que as controvérsias fazem parte do cristianismo e sua história. Contudo o que me assusta são os embates atuais. Principalmente nas redes sociais onde surge os “ teólogos facebook ” que nenhuma consideração tem por seus irmãos, pois a ideia é desqualificar o outro por meio do debate, é vencer ou vencer. Geralmente tal debate é desprovido de conhecimento histórico, cultural, gramatical e teológico. Ainda citamos a falta de respeito que é uma constante. Homens conhecidamente piedosos, que estudaram e se especializaram na Palavra de Deus para melhor instruir o rebanho são taxados de “ velho gagá “, “ esclerosado “, “ frio “, “ sem o Espírito “ por noviços , e por aqueles que nada ou quase nada estudaram e se consideram expert em teologia, Bíblia. Debates que só fragiliza o corpo de Cristo, promotor de cizânia e muitas vezes a perda de afeto e amizade. Precisamos entender que mesmo na controvérsia é preciso haver respeito e caridade.  Unidade no essencial, liberdade no secundário, caridade em tudo.

As controvérsias não são ruim em si mesmas, embora elas possam vir acompanhadas de divisões. Na história elas nos proporcionaram a oportunidade de pesquisar e fundamentar melhor as doutrinas essenciais da fé. Acredito que precisamos olhar o lado positivo das controvérsias. As mesmas não precisam dividir-nos. Separar batistas, presbiterianos,  assembleianos e luteranos. É possível convivermos em paz, e compartilharmos o que nos une.

Em minha peregrinação tenho ministrado em igrejas batistas, assembleias de Deus ( diversas ramificações ), luteranas, metodistas. Adoro ao Senhor pelas oportunidades recebidas para compartilhar o amor, a fé e a esperança em Cristo, sem barganhar a verdade. Porém procurando sempre me conduzir entre os santos com sabedoria e sensatez.

Que Deus nos ajude!

Taciano Cassimiro, é líder da Igreja Presbiteriana de Tailândia. Bacharel em Teologia, palestrante e escritor. Leciona História, Sociologia e Filosofia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Acerca dos 497 anos da Reforma Protestante

Por Taciano Cassimiro

A Reforma Protestante foi sem dúvida um dos acontecimentos históricos mais impactantes. A Reforma tem como ponto de partida o dia 31 de outubro de 1517 ocasião em que Martinho Lutero (1483-1546), padre, da ordem de Santo Agostinho, afixou na porta Catedral de Wittemberg as conhecidas 95 teses.

A Reforma não surgiu com o desejo de dividir a igreja. Seu propósito era reconduzir a igreja aos ensinos do Novo Testamento, era trazer a igreja ás Escrituras. Pois, principalmente no período medieval que começa no século V até XV a igreja se desviou de forma fragorosa dos ensinos de Cristo e dos apóstolos. Podemos apontar alguns dos desvios: Corrupção moral, venda de indulgências (perdão e misericórdia mediante pagamento), cobrança dos sacramentos, venda de relíquias sagradas, venda de cargos no clero e ignorância religiosa dos padres.
Diante deste quadro surgiu homens chamados historicamente de pré-reformadores, John Wycliffe ( 1328 – 1384 ) e John Huss ( 1369 – 1415 ), que denunciaram os erros da igreja, e enfatizaram a importância de colocar a Bíblia na linguagem do povo, estes foram mortos pela igreja acusados de heresia.

No cenário surge aquele que seria conhecido como o pai da Reforma, Martinho Lutero, que enfatizou as denúncias feitas pelos pré-reformadores. Lutero desejava ver a igreja reformada moralmente e teologicamente, não desejava dividi-la. A divisão foi consequência da dureza da igreja em não reconhecer seus erros e abusos. Em suma Lutero defendeu a salvação pela fé em Cristo somente, tradução da Bíblia, leitura e livre exame da mesma. Outros reformadores ocupam grande espaço na história da reforma como Ulrico Zwínglio (1484-1531) em Zurique, João Calvino ( 1509 – 1564 ) o grande reformador francês radicado na Suiça, John Knox ( 1514 – 1572 ) na Escócia. Estes foram grandes exemplos de amor e busca pela verdade. Longe estavam de ser perfeitos, no entanto demonstraram amor pela igreja e pela verdade contida nas Escrituras ainda que isso lhes custasse a liberdade e a vida.

Hoje 31 de outubro comemorasse o dia da reforma, mas na verdade o que temos a comemorar? Precisamos pensar sobre isso!

Pra bem da verdade a maior parcela das ditas igrejas evangélicas abraçam, flertam, adoram tudo aquilo que os reformadores combateram. Hoje igrejas evangélicas vendem em nome de Deus o que deveria ser pela graça, barganham benefícios espirituais, tapetes de fogo, sal grosso, campanhas (prosperidade e saúde) mágicas, e tudo isso reflexo da ignorância bíblica-teológica vigente entre os protestantes, parece que estamos voltando a Idade Média. O povo protestante cada vez mais, conhece menos de doutrina, de teologia ( alguns ainda preservam a ideia de que teologia é desnecessário, e quem a estuda não tem unção. Lamentável ). Acrescentamos a lista a corrupção moral, brigas políticas, guerras por cargos eclesiásticos, pastores que compram e não pagam ( velhaco ). As coisa andam bem complicadas.

Precisamos resgatar o legado deixado pelos reformadores, ou seja, amor pela verdade, pelas Escrituras, precisamos voltar a fonte, precisamos render-se a Deus. É preciso reconhecer que necessitamos urgentemente abandonar a idolatria gospel, as superstições, a negligência ao estudo da Bíblia e de outras ciências ( examinar tudo é necessário ). Precisamos viver de forma santa, firmados na Palavra, e assim protestar contra o estado de coisas que contraria os princípios do Reino de Deus. Afinal de contas desde 1529 somos conhecidos como protestantes.


Viva a Reforma Protestante!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jan Huss: coragem, resistência e fé


 Por Taciano Cassimiro 

Jan Huss ( Jan Huss ) foi um pré-reformador. Para a Igreja Católica um herege disseminador dos ensinos de John Wycliffe ( 1328 – 1384 )merecedor da mesma sorte, ou seja, a morte.

Vejamos alguns pontos relacionados a vida e obra de Jan Huss, no propósito de conhecermos um pouco sobre esta “grande pequena luz ” que ousou brilhar em meio as trevas da ignorância e opressão da igreja medieval.
  
    1.    Origem e formação

Huss nasceu em 1373 em Hussinec na Boêmia hoje Republica Tcheca. De família pobre que vivia da agricultura.  O nome Hus é a abreviação do seu lugar de nascimento, feita pelo próprio, em cerca de 1399; anteriormente era conhecido como Jan Hussinec, ou, em latim, Johannes de Hussinetz.

Huss, cedo, perdeu seu pai. Sua mãe sempre o incentivou na educação formal. Não foi um aluno brilhante, no entanto conseguiu seus graus:  Em 1393 ele fez o Bacharelado em Letras, em 1394 o Bacharelado em Teologia, e em1396 O Mestrado. Muito cedo Huss recebeu proeminência. Seu temperamento quente foi essencial para enfrentar os desafios que vieram em sua vida. Fazendo uso das afirmações de Martyn L. Jones à John Knox as uso em relação a Huss “ Que faremos com esse homem? Ele foi um homem para sua era; um homem para os seus tempos. Para épocas especiais são necessários homens especiais; e Deus sempre produziu tais homens...era necessário um homem forte, um homem austero, um homem corajoso; e esse homem era Huss”.

Teve de ganhar a vida cantando e prestando serviços na Igreja. E segundo alguns historiadores Huss sentiu-se atraído pela “profissão” clerical não tanto por um impulso interior mas pela atração de uma vida tranquila como clérigo. Porém o Senhor tinha seus planos e os consumaria na vida de Huss.

    2.    Seu Ministério


Jan Huss foi ordenado ao sacerdócio em 1400. Em1401 tornou-se reitor da faculdade de Filosofia, e em 1402, Huss se tornou pregador na capela dos Santos Inocentes de Belém em Praga, onde pregava em língua checa e latim. Huss era pregador eloquente e sincero, ele atraia todas as classes, desde os mais elevados aos mais simples, e, rapidamente tornou-se um dos homens mais influentes no país. A rainha o tornou seu confessor e, ela e suas damas assistiam suas pregações.  O Papa João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado e obrigado a deixar Praga em 1411, excomungado de sua congregação, todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral que realizara foram anulados. Tal ato trouxe grande revolta aos cidadãos de Praga, os quais defenderam Huss que continuo a pregar de lugar em lugar e, geralmente, ao ar livre.
Huss defendia a pureza do clero, combatia os males da igreja, combatia a corrupção e à ostentação do clero, Huss, conquistou o apoio dos camponeses, dos artesãos e assalariados das cidades tchecas. Podemos afirmar que Huss à semelhança de Wycliffe foi essencialmente um reformador moral. Ele foi notável mais por seu elevado propósito ético do que pela especulação teológica. Huss em seu ministério defendeu a reforma da igreja baseada no exemplo de Cristo e na simplicidade apostólica.
Huss era respeitado até por seus inimigos por sua pureza, vida particular exemplar. Nas palavras de um de seus críticos sua reputação era “ pureza imaculada “.
Huss escreveu enquanto este preso a obra De Ecclesia, e também traduziu a Bíblia para sua língua materna, o tcheco.

    3.    Suas ideias teológicas

Jan Huss foi fortemente influenciado pelas ideias de Wycliffe, porém diferia em muitos pontos, geralmente em direção da moderação, e do conservadorismo.
Eis, algumas ideias defendidas por Huss:

      ·         A pregação livre da Palavra de Deus
      ·         O estudo das Escrituras
      ·         A Ceia administrada nas duas espécies ( o cálice e o pão  para os leigos )
      ·         Contra a venda de indulgências
      ·         Não era contra a sucessão apostólica, mas afirmava: “ A autoridade de Pedro permanece no Papa, desde que ele não se afaste da lei do Senhor Jesus Cristo “.
     ·         Pregava o Sacerdócio Universal dos Crentes, no qual qualquer pessoa pode comunicar-se com Deus sem a mediação sacramental e eclesial.

Na Idade Média surgiu homens intelectuais como Agostinho ( 354-430 ), Pedro Abelardo ( 1079-1142 ), Tomás de Aquino ( 1225-1274 ),  porém havia muita ignorância teológica entre o clero e membresia.

Huss viveu em um período de retorno as Escrituras, de idéias incipientes e revolucionárias, que alcançaria maiores contornos com Zwínglio, Lutero e Calvino.

    4.    Sua morte

Em 1414 Huss foi preso em Constança embora tivesse um salvo-conduto cedido por Sigismundo ( 1368-1437 ) Sacro Imperador Romano-Germânico. O Concílio de Constança ( 1414-1418 ) condenou os escritos de Wycliffe, e julgou Huss por apoiar alguns de seus ensinos. Para o Concílio Huss era um “ Wycliffe redivivus “. Huss permaneceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por fim, no dia 6 de julho de 1415, ele foi levado para a catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal de que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar a tonsura, fazendo-lhe uma cruz na cabeça. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira. A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. 
As palavras de Huss aos seus inquisidores que queriam que o reformador abandonasse suas doutrinas foram firmes:
 “ Apelo a Jesus Cristo, o único juiz todo-poderoso e totalmente justo. Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um não com base em testemunhos falsos e concílios errados, mas na verdade e na justiça”. 
Antes de ser queimado, Hus disse as seguintes palavras ao carrasco: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar." Costuma-se identificar Martinho Lutero com esta profecia (que 102 anos depois pregou suas 95 teses em Wittenberg), e costumeiramente se costuma identificá-lo com um cisne.

Após a morte de Huss sua influência não acabou, seus seguidores deram continuidade com os seguintes partidos:

 ·         Hussistas de Praga: rejeitavam só o que contradizia os ensinos da Bíblia
      ·         Taboritas: revolucionários apocalípticos que se opunham a tudo o que não estivesse na Bíblia. Alguns do grupo taborita formaram aquilo que ficou conhecido como Unitas Fratrum (Irmãos Unidos) ou Irmãos Boêmios em meados do século XV. Foi deste grupo que saiu a Igreja Morávia, que até hoje existe. A Igreja Morávia tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da história da Igreja Cristã.
       ·         Comunidade de Monte Horebe: menos apocalíptica.

Conclusão

Jan Huss servi-nos de inspiração em nossa peregrinação teológica, ministerial e prática.
Muitas são as aflições dos servos de Deus, porém fomos chamados para o serviço, para o ensino da verdade de Deus, ainda que nos custe a existência. Que o exemplo de dedicação, resistência, coragem e fidelidade de Huss, sejam por nós seguidos para glória D’aquele que nos chamou.


Louvado seja o Senhor!