quarta-feira, 15 de abril de 2015

Como Ser Um Ministro Fiel



Por Taciano Cassimiro na Igreja Presbiteriana 9 de Dezembro, Maceió-AL. 09/01/2010 

I Tm 4.6-16

São muitos os desafios enfrentados pelos ministros do evangelho em nossos dias. Não só pelos ministros, por todos os que verdadeiramente seguem a Jesus Cristo e seu evangelho. Os desafios são os mais diversos: teologia da prosperidade, pentecostalismo ( cultura ) e seus excessos, neo-pentecostalismo com suas propostas tentadoras de riqueza e saúde constante como prova de fé e fidelidade. Também incluo nesta lista a ortodoxia sem ortopraxia. Muita letra, muito grito, muita filosofia, muito debate, e pouca vida.

A primeira epístola do apóstolo Paulo a Timóteo foi escrita da Macedônia, depois de haver visitado a cidade de Éfeso, onde havia deixado Timóteo. A data da escrita é 64 d.C. (datas prováveis variam entre 64 e 67) (entre as duas prisões em Roma).

Paulo escreve esta epístola pastoral com no mínimo três propósitos específicos:

    1) Exortar o próprio Timóteo a respeito do seu ministério e de sua vida pessoal;

   2) Exortar Timóteo a defender a pureza do evangelho e seus santos padrões da corrupção causada pelos falsos mestres;

    3) Dar a Timóteo instruções a respeito de vários assuntos e problemas de Éfeso.
Timóteo tinha diversos desafios ( pessoal e ministerial ) e diante dos mesmos, era necessário ser UM BOM MINISTRO.

Mas,
   Como Ser Um Ministro Fiel?

    1.Ensinando a Palavra de Deus v.6

O bom e fiel ministro ensinará sempre a Palavra de Deus e dará a ela primazia. O ensino basicamente tem dois aspectos:

1.1.Orientar e ordenar: pelo ensino somos alertados, orientados e intimados a seguir sua orientação. Há Palavra de Deus é lâmpada e luz para os nossos caminhos ( Sl 119.105 ). Infelizmente em muitas igrejas a Exposição da Palavra de Deus não existe mais.

1.2.Denunciar: é impossível ensinar sem denunciar os falsos mestres e seus ensinos perniciosos e destrutivos. E era isso que Timóteo deveria fazer e fazendo isso séria um bom ministro.

Verdade é que nem sempre denunciamos os ensinos e os falsos mestres com a mesma ousadia, habilidade e fidelidade a Palavra de Deus como Paulo e demais apóstolos.

     2.Exercitando a Piedade V.7

No nosso contexto piedade é “virtude que leva a render a Deus a honra que lhe é devida. Devoção, oração, leitura e prática da Bíblia.

Para Calvino, pietas designa a atitude correta de um homem para com Deus. É uma atitude que inclui conhecimento verdadeiro, adoração sincera, fé salvadora, temor filial, submissão e amor reverentes. Saber quem e como Deus é (teologia) envolve atitudes corretas para com Ele e fazer o que Ele deseja (piedade).

Como ministro fiel Timóteo deveria se ” exercitar na piedade “, ou seja, sua vida deveria ser marcada, regada pela piedade. Há piedade deveria ser uma prática constante em sua vida e ministério.

O ministro fiel precisa:

· Ler e refletir, Nunca descuide da leitura diária da Bíblia em sua privacidade, e quando lê-la recorde que Deus está te falando e que deves crer e obedecer sobre o que Ele lhe diz.

· Vida de oração, Nunca descuide da oração particular diária; e quando orar, recorde que Deus está presente e que Ele ouve as tuas orações. Na observação de Calvino a oração é "o principal exercício da fé, mediante a qual recebemos diariamente os benefícios de Deus".

· Vida de santidade, o ministro, o servo de Deus precisa ter uma vida santa e exemplar.

Calvino disse: “Ofereço-Te meu coração, Senhor, imediata e sinceramente”.Esse é o desejo de todos os que são verdadeiramente piedosos. Contudo, esse desejo pode ser realizado apenas por meio da comunhão com Cristo e da participação nEle; pois, fora de Cristo, até a pessoa mais religiosa vive para si mesma. E apenas em Cristo os piedosos podem viver como servos voluntários, soldados leais de seu Comandante e filhos obedientes de seu Pai. A santidade é provada pela obediência.

3   3. Tornando-se padrão v. 12, 16

Tornando-se padrão dos fiéis.

Padrão em que ?

Paulo diz a Timóteo que ele deveria ser um padrão para os fiéis, no mínimo em cinco áreas, são elas:

3.1.Na palavra – o ministro deve ter cuidado com suas palavras, as mesmas devem ser edificantes.
3.2.No procedimento – o ministro deve proceder de forma integra e reta, que reflita temor de Deus.
3.3.No amor – o ministro deve ser amoroso, ser exemplo no amor para com os irmãos e para os que estão de fora, e no seu amor para com Deus e sua obra.
3.4.Na fé – o ministro deve ser exemplo de fidelidade, sua fé deve ser exemplar.
3.5.Na pureza – o ministro deve ser exemplo de pureza. Pureza nas palavras, nas ações, nos relacionamentos e principalmente na obra de Deus.

Se Timóteo seguisse as orientações de Paulo, seria um ministro fiel e exemplar. Tornando-se assim um padrão para comunidade cristã de seus dias.

Infelizmente muitos ministros deixaram de ser padrão há muito tempo, pois deixaram de colocar em prática os ensinamentos da Palavra de Deus. Mantêm a aparência, mas a essência já não existe.

Que Deus nos ajude a sermos fiés.

 4. Tendo cuidado da doutrina v. 16

Timóteo tinha sido instruído por Paulo na boa doutrina de Jesus Cristo e de seus apóstolos, e agora ele deveria permanecer e ensiná-la.

Há doutrina é fundamental para saúde do ministro e da comunidade cristã. Por isso, o mesmo não deve vacilar, é preciso estudo constante, reflexão, oração e dependência do Espírito Santo.

Muitos naufragaram na fé nos dias de Paulo por darem ouvidos a doutrinas de falsos mestres inspirados por demônios. Em nossos dias não é diferente, os ensinos falsos são diversos e têm trazido danos, muitos danos ao arraial cristão.

Há Bíblia é nossa regra de fé e prática, tão bem utilizada pelos reformadores a ponto de nos deixarem uma bela herança “ A TEOLOGIA REFORMADA “: A teologia reformada é abrangente, envolvendo aspectos doutriná­rios, forma de governo eclesiástico, padrões para o culto e um modo específico de encarar questões políticas, econômicas e sociais. As princi­pais expressões dessa teologia são os escritos dos reformadores da tradi­ção suíça (Ulrico Zuínglio, João Calvino, Martin Bucer, John Knox, Teodoro Beza e outros) e os muitos documentos confessionais elabora­dos pelas primeiras gerações de reformados. Os exemplos mais significa­tivos são: os Sessenta e sete artigos de Zuínglio (1523), a Primeira confissão helvética (1536), a Confissão de Genebra (1536), o Catecismo de Genebra (1542), a Confissão galicana (1559), a Confissão escocesa (1560), a Confis­são belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563) e a Segunda confissão helvética (1566). São especialmente importantes a Confissão de Fé e os Catecismos elaborados pelos calvinistas ingleses - os puritanos - na Assembleia de Westminster (1643-1648).

Algumas ênfases especiais da teologia reformada são a plena sobera­nia de Deus, a eleição ou predestinação, o livre-arbítrio entendido como livre agência, a soteriologia monergista que reconhece a prioridade da iniciativa divina, o conceito simbólico dos sacramentos, a noção do pacto (das obras e da graça) e a importância da lei de Deus. Essa teologia é abraçada particularmente pelas igrejas presbiterianas, e também por muitas igrejas congregacionais e batistas.

O ministro tendo cuidado da doutrina será capaz de salvar-se dos falsos ensinos, e ainda salvará a comunidade cristã da praga chamada “ falsas doutrinas “.

Um Ministro fiel terá cuidado com a doutrina:
Ensinando e vivendo.

Conclusão

Que Deus nos ajude a sermos fiéis ministros, ensinando a Palavra de Deus, exercitando a piedade, tornando-se padrão e tendo cuidado da doutrina.
Que Deus nos ajude!


Taciano Cassimiro

quinta-feira, 2 de abril de 2015

ESTUDO DO CAPÍTULO II DA CONFISSÃO DE FÉ ESCOCESA – 1560

Por Taciano Cassimiro
Breves Anotações

Da Criação do Homem

Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança, e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição. Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida.

1. Quem criou o homem?

” Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança,...”

O texto da Confissão é claramente contrário a qualquer ensino evolutivo ou obra do acaso. Por isso ela afirma que:

     ·         Deus criou o homem Gn 2.7

E este homem foi criado:

     ·         Segundo sua própria imagem e semelhança Gn 1.26-27; Cl 3.10

2. Deus criou o homem em quais condições?

“....e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição””.
Novamente o texto da Confissão de Fé Escocesa se coaduna com as Escrituras ao afirmar que o homem foi criado em total perfeição, e recebido do Senhor tais atributos:

     ·         Sabedoria
     ·         Domínio
     ·         Justiça
     ·         Livre-arbítrio
     ·         Consciência de si mesmo

3. O que aconteceu ao primeiro homem ( Adão e sua mulher )?

“...Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus,..”

 O homem caiu em pecado Rm 5.12

Sequencia da queda e suas consequências em Gn 3.1-24:
A mulher enganada pela serpente, punição Gn 3.4-6,15-16
O homem dando ouvido à voz da mulher Gn 3.6, 17-19
Ambos conspiraram contra Deus Gn3.6-7
Homem e a mulher expulsos do jardim Gn 3.22-24

 O pecado do homem o afetou em todo o seu ser, físico e espiritual. Agora sua sabedoria, domínio, justiça, livre-arbítrio ( perdido ), consciência de si mesmo foram maculados de sorte que a linguagem do profeta Isaias ao referir-se a nação de Israel pode ilustrar bem a real condição do homem:

“O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende”.
Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade! Raça de malfeitores, filhos dados à corrupção! Abandonaram o Senhor; desprezaram o Santo de Israel e o rejeitaram.
Por que continuarão sendo castigados? Por que insistem na revolta? A cabeça toda está ferida, todo o coração está sofrendo.
Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são; somente machucados, vergões e ferimentos abertos, que não foram limpos nem enfaixados nem tratados com azeite”. Isaías 1:3-6
NVI.

4. Deus havia alertado nossos primeiros pais antes da queda?

“...ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida”.

A narrativa de Gênesis é muito clara quanto a esta questão. O homem e a mulher foram advertidos, inclusive, da consequência que viria mediante transgressão:

O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
E o Senhor Deus ordenou ao homem: "Coma livremente de qualquer árvore do jardim,
mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá".
Gênesis 2:15-17
.

Com base na passagem aprendemos que a vida eterna era uma possibilidade, caso o homem permanecesse fiel. Porém, sua desobediência o levou a morte bem como de sua descendência.

Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Tu, cuja glória é cantada nos céus. Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra. Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos; sob os seus pés tudo puseste: Todos os rebanhos e manadas, e até os animais selvagens, as aves do céu, os peixes do mar e tudo o que percorre as veredas dos mares. Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Salmos 8:1-9


CONCLUSÃO
CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO
CAPÍTULO II
Deus está no homem, e este em Deus

E como invocarei meu Deus, meu Deus e meu Senhor, se ao invocá-lo o faria certamente dentro de mim? E que lugar há em mim para receber o meu Deus, por onde Deus desça a mim, o Deus que fez o céu e a terra? Senhor, haverá em mim algum espaço que te possa conter? Acaso te contêm o céu e a terra, que tu criaste, e dentro dos quais também criaste a mim? Será, talvez, pelo fato de nada do que existe sem Ti, que todas as coisas te contêm? E, assim, se existo, que motivo pode haver para Te pedir que venhas a mim, já que não existiria se em mim não habitásseis?
Ainda não estive no inferno, mas também ali estás presente, pois, se descer ao inferno, ali estarás.

Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se não estivesses em mim; talvez seria melhor dizer que eu não existiria de modo algum se não estivesse em ti, de quem, por quem e em quem existem todas as coisas? Assim é, Senhor, assim é. Como, pois, posso chamar-te se já estou em ti, ou de onde hás de vir a mim, ou a que parte do céu ou da terra me hei de recolher, para que ali venha a mim o meu Deus, ele que disse: Eu encho o céu e a terra?

quinta-feira, 26 de março de 2015

Amilenismo, uma abordagem resumida


Por Taciano Cassimiro

A+milênio (milenismo)= a não milênio.

Embora o termo seja um tanto infeliz, na verdade o amilenismo acredita no milênio como um período que compreende basicamente a 1º e 2º Segunda Vinda de Cristo. O amilenismo não defende um reino terreno-literal por um período de mil anos literais como defendem os Pré-Milenistas históricos e Dispensacionalistas.

Basicamente a dois tipos de Amilenismo:

(1)    O Amilenismo Clássico que considera o Reino de Deus como sendo o domínio de Deus sobre os santos que estão nos céus, fazendo do Reino de Deus um reino celestial - o Reino dos Céus.

(2)    O Amilenismo Agostiniano, que também é o ponto de vista defendido pela Igreja Católica Romana, considera o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento com respeito ao Reino, como sendo o reinado de Cristo do trono do Pai sobre a Igreja, que está na terra.

Um terceiro seria a junção do clássico e agostiniano, que considero adequado.

Características principais do Amilenismo:

1. Segunda vinda de Cristo inaugura o tempo final para crentes e não-crentes de maneira final (não intermediária como dizem os milenistas).

Defensores de um milênio literal, pré-milenistias históricos e dispensacionalistas, entendem que após a Segunda Vinda de Cristo haverá um reino de paz de Cristo na terra. Nesse período a terra não estará restaurada. A sede desse reinado será Jerusalém.

2. Os mil anos de Apocalipse 20 são simbólicos e não-literais.

Defensores das posições apresentadas no tópico, 1, defendem uma interpretação literal da passagem.

3. As duas ressurreições do texto (Ap 20) não são físicas.

Simon Kistemaker escreve “  A primeira ressurreição, então, é uma ressurreição espiritual, do mesmo modo que a segunda morte é uma morte espiritual”[1].
As correntes apresentadas no tópico, 1 , interpretam literalmente.

4. Interpretação de um modo geral não literalista

Os amilenistas são acusados de espiritualizar tudo. E isto não é verdade. Porém é verdade afirmar que os amilenistas respeitam o gênero de cada livro, logo, interpretando história como história, doutrina como doutrina e livro apocalíptico-profético como tal. Exemplo: O livro de Apocalipse exige uma leitura do contexto e consequentemente da mensagem que estava sendo transmitida por meio dos números, imagens, cores, símbolos e personagens. É de consenso entre os amilenistas que há no livro de Apocalipse elementos futuros como a Segunda Vinda de Cristo, Juízo Final e Novo céu e Nova terra e etc.

5. Pessimistas quanto ao futuro da Terra e da humanidade.

Nesse ponto eu vejo dois grupos de amilenistas:

Primeiro grupo, os pessimistas - entendem que as tribulações vão se intensificar e o mundo se tornar um lugar mais difícil de viver, mesmo com o evangelho sendo pregado.

Segundo grupo, os otimistas - acreditam que embora haja aumento de perseguição e tribulação no mundo e contra a igreja a pregação do evangelho de Jesus Cristo produzirá transformações em todas as camadas da sociedade. As tribulações sempre estiveram presentes na história do cristianismo, contudo o mesmo sempre deixou marcas profundas e produziu transformações na sociedade.

6. Iminência da segunda vinda.

Quanto à iminência também não a consenso.

Há aqueles que defendem que Jesus virá a qualquer momento. É  que o Rev. Leandro Lima e Heber Carlos Jr defendem no vídeo postado no youtube  “Academia em Debate 47”. E outros que defendem que antes da volta de Jesus alguns sinais que ainda não se cumpriram precisam se cumprir, como exemplo o surgimento do anticristo. Vale lembrar que os amilenistas são pós-tribulacionistas.


MAPA AMILENISTA





[1] Kistemaker, Simon. Comentário do Novo Testamento, pag 702. Apocalipse, 2º Edição. Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 19 de março de 2015

ACERCA DOS NOVOS CALVINISTAS



O tema é muito pertinente uma vez que acaloradas disputas e acusações faz parte do cotidiano, principalmente virtual. Sem contar nos rachas eclesiásticos Brasil a fora.

A expressão "Calvinismo" provavelmente foi usada pela primeira vez em 1552, numa carta do pastor luterano Joachim Westphal, de Hamburgo. E sem duvida Calvino não era calvinista. Porém, quando se fala em calvinismo a carga toda recai nos ombros do francês ( João Calvino ) nascido em Noyon, 10 de julho de 1509 — Genebra, 27 de maio de 1564. De fato Calvino tinha uma mente extraordinária, piedade encantadora e escritor pra lá de habilidoso.  Até mesmo o teólogo holandês Jacó Armínio (10 de outubro de 1560 – 19 de outubro de 1609) disse acerca de Calvino na Carta escrita a Sebastian Egbertsz, "Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos”. Os seguidores de Calvino e Armínio ( quando Calvino morreu Armínio tinha 4 anos de idade ) transformaram os mesmos que nunca se conheceram em inimigos.

Mais quais são os requisitos para ser um calvinista?

Ter lido as Institutas de Calvino e seus Comentários? Ler e professar crença nas confissões? Quais confissões? De Guanabara? Francesa? Escocesa? Inglesa? Belga? Helvética? Westminster? Batista? Ou os cânones de Dort? Ou, além disso, tem que crer nos 5 ( nem 5, nem 50 ) PONTOS DO CALVINISMO? Ou se declarar cessassionista? Não podemos negar a parte da história que trás alguns reformadores e puritanos como continuístas.
Não vejo o calvinismo de forma monolítica, seja histórica ou teologicamente. Nunca existiu um “ calvinismo “ e sim “ calvinismos” no “meio” ou “entre” os “ismos” qual o verdadeiro?. Quanto a personagens calvinistas temos como exemplo Richard Baxter (Rowton - Chester, 12 de Novembro de 1615 — Shropshire, 8 de Dezembro de 1691) líder puritano inglês, sacerdote, escritor, a quem Dean Stanley chamou "o chefe dos protestantes intelectuais da Inglaterra “defendia um calvinismo moderado. No mesmo ele defendia que Deus escolheu certo número de pessoas, sem rejeitar aqueles que se achegassem a ele ( Deus ). Contudo o mesmo é chamado de Calvinista por tudo e por todos. Pode isso?

Na atualidade temos visto posicionamentos de pastores calvinistas sobre assuntos tidos como característico da igreja reformada ( mas, que igreja reformada? Pois existe várias com aspectos litúrgicos e teológicos diferentes) completa ou parcialmente diferentes. Gerando assim fúria, nos mais ou menos “ortodoxos”. É importante observar, para espanto, que o tema “ser ou não ser” calvinista, “é ou não é” calvinista tem gerado perseguição, quando não, cassação de mandato. Pois, ou se ajusta acerta escola de interpretação calvinista adotada pela suposta maioria ou está fora de cena, logo não é digno de receber o título “ Calvinista”. Calvino chora.

E quanto aos Novos Calvinistas?

Os tais têm sido chamados de “híbridos”(ou seja, um ser que resulta da mistura de dois ou mais elementos) por calvinistas antigos que entende, que calvinista da gema, original, tem que ser cessassionista e membro de igreja reformada. Os novos calvinistas são em sua maioria de igrejas pentecostais. Destaque para Assembleia de Deus. Em minha última viagem à Brasília, ao chegar à Livraria Evangélica me surpreendi com o número de pastores assembleianos comprando material reformado e se declarando calvinista.  

É verdade que muitos dos novos calvinistas e alguns deles nem sabem ao certo o que isso significa, têm entrado em disputas, principalmente, na internet, sem contar o clima de guerra que alguns criam em suas congregações ( pentecostais e/ou neopentecostais, e históricas ) contribuindo infelizmente para uma aversão cada vez maior ao calvinismo.
Por outro lado, não acredito que para ser calvinista tenha que ser membro desta ou daquela denominação dita histórico-reformada.


Aos novos calvinistas aconselho como base de conduta a postura do calvinista e Rev. Geremias do Couto, Assembleia de Deus, que em entrevista ao site Teologia Pentecostal demonstrou maturidade, equilíbrio, espírito de paz, amor pela Palavra e por seus irmãos, além do que lhe é peculiar, voz pastoral.

Taciano Cassimiro, escritor,colunista e líder da Igreja Presbiteriana em Tailândia, Pará.
Bacharel em Teologia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

DICA de LIVRO " Ortodoxia Humilde "

Por Taciano Cassimiro

O livro de autoria de Joshua Harris e Eric Stanford. Publicação VIDA NOVA 2013, 96 Pg.
Escrito em linguagem simples e cheia de vida transmite uma mensagem muito pertinente no tocante o amor, apego e necessidade urgente de defender a verdade, sem, contudo, deixar de ser humilde.

Livro de quatro capítulos:
    1.    Sua atitude é importante
    2.    Com lágrimas nos olhos
    3.    O arrependimento começa por mim
    4.    Vivendo pela aprovação de Deus.

De forma muito clara o autor ensina que é possível ser ortodoxo, sem ser chato, tolo e arrogante. Pois devemos compartilhar a verdade com humildade e amor. Exemplos como o de Paulo que em sua ortodoxia, luta contra os falsos mestres visando o arrependimento e salvação dos mesmos. Tal exemplo deve ser seguido.

Trechos do livro:

“ Conhecimento sobre DEUS que não se traduzir em adoração a ele em palavras, pensamentos e atos logo se tornará uma exaltação do próprio ego. E, por isso, atacaremos qualquer um que ameace nosso minúsculo reino do ego”.

O pastor Greg Dutcher diz – “ Passamos do limite quando estamos mais focados em dominar tudo que diz respeito à teologia do que em ser dominado por Cristo “. E como é fácil passar desse limite.

Quem deve ler?

Pastores, presbíteros, diáconos, professores de Escola Dominical, teólogos e estudantes de teologia.

Em fim, Todos que se afadigam nos estudos, e que amam a verdade e lutam em sua defesa.

“ Quando conhecemos a verdade sobre Deus – seu amor e poder, sua grandeza, santidade e misericórdia -, ela não nos torna arrogantes. Ela nos deixa maravilhados. Ela nos deixa deslumbrados com a verdade. Ela nos deixa humildes na presença da graça”.