quinta-feira, 2 de abril de 2015

ESTUDO DO CAPÍTULO II DA CONFISSÃO DE FÉ ESCOCESA – 1560

Por Taciano Cassimiro
Breves Anotações

Da Criação do Homem

Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança, e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição. Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida.

1. Quem criou o homem?

” Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança,...”

O texto da Confissão é claramente contrário a qualquer ensino evolutivo ou obra do acaso. Por isso ela afirma que:

     ·         Deus criou o homem Gn 2.7

E este homem foi criado:

     ·         Segundo sua própria imagem e semelhança Gn 1.26-27; Cl 3.10

2. Deus criou o homem em quais condições?

“....e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição””.
Novamente o texto da Confissão de Fé Escocesa se coaduna com as Escrituras ao afirmar que o homem foi criado em total perfeição, e recebido do Senhor tais atributos:

     ·         Sabedoria
     ·         Domínio
     ·         Justiça
     ·         Livre-arbítrio
     ·         Consciência de si mesmo

3. O que aconteceu ao primeiro homem ( Adão e sua mulher )?

“...Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus,..”

 O homem caiu em pecado Rm 5.12

Sequencia da queda e suas consequências em Gn 3.1-24:
A mulher enganada pela serpente, punição Gn 3.4-6,15-16
O homem dando ouvido à voz da mulher Gn 3.6, 17-19
Ambos conspiraram contra Deus Gn3.6-7
Homem e a mulher expulsos do jardim Gn 3.22-24

 O pecado do homem o afetou em todo o seu ser, físico e espiritual. Agora sua sabedoria, domínio, justiça, livre-arbítrio ( perdido ), consciência de si mesmo foram maculados de sorte que a linguagem do profeta Isaias ao referir-se a nação de Israel pode ilustrar bem a real condição do homem:

“O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende”.
Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade! Raça de malfeitores, filhos dados à corrupção! Abandonaram o Senhor; desprezaram o Santo de Israel e o rejeitaram.
Por que continuarão sendo castigados? Por que insistem na revolta? A cabeça toda está ferida, todo o coração está sofrendo.
Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são; somente machucados, vergões e ferimentos abertos, que não foram limpos nem enfaixados nem tratados com azeite”. Isaías 1:3-6
NVI.

4. Deus havia alertado nossos primeiros pais antes da queda?

“...ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida”.

A narrativa de Gênesis é muito clara quanto a esta questão. O homem e a mulher foram advertidos, inclusive, da consequência que viria mediante transgressão:

O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
E o Senhor Deus ordenou ao homem: "Coma livremente de qualquer árvore do jardim,
mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá".
Gênesis 2:15-17
.

Com base na passagem aprendemos que a vida eterna era uma possibilidade, caso o homem permanecesse fiel. Porém, sua desobediência o levou a morte bem como de sua descendência.

Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Tu, cuja glória é cantada nos céus. Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra. Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos; sob os seus pés tudo puseste: Todos os rebanhos e manadas, e até os animais selvagens, as aves do céu, os peixes do mar e tudo o que percorre as veredas dos mares. Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Salmos 8:1-9


CONCLUSÃO
CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO
CAPÍTULO II
Deus está no homem, e este em Deus

E como invocarei meu Deus, meu Deus e meu Senhor, se ao invocá-lo o faria certamente dentro de mim? E que lugar há em mim para receber o meu Deus, por onde Deus desça a mim, o Deus que fez o céu e a terra? Senhor, haverá em mim algum espaço que te possa conter? Acaso te contêm o céu e a terra, que tu criaste, e dentro dos quais também criaste a mim? Será, talvez, pelo fato de nada do que existe sem Ti, que todas as coisas te contêm? E, assim, se existo, que motivo pode haver para Te pedir que venhas a mim, já que não existiria se em mim não habitásseis?
Ainda não estive no inferno, mas também ali estás presente, pois, se descer ao inferno, ali estarás.

Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se não estivesses em mim; talvez seria melhor dizer que eu não existiria de modo algum se não estivesse em ti, de quem, por quem e em quem existem todas as coisas? Assim é, Senhor, assim é. Como, pois, posso chamar-te se já estou em ti, ou de onde hás de vir a mim, ou a que parte do céu ou da terra me hei de recolher, para que ali venha a mim o meu Deus, ele que disse: Eu encho o céu e a terra?

quinta-feira, 26 de março de 2015

Amilenismo, uma abordagem resumida


Por Taciano Cassimiro

A+milênio (milenismo)= a não milênio.

Embora o termo seja um tanto infeliz, na verdade o amilenismo acredita no milênio como um período que compreende basicamente a 1º e 2º Segunda Vinda de Cristo. O amilenismo não defende um reino terreno-literal por um período de mil anos literais como defendem os Pré-Milenistas históricos e Dispensacionalistas.

Basicamente a dois tipos de Amilenismo:

(1)    O Amilenismo Clássico que considera o Reino de Deus como sendo o domínio de Deus sobre os santos que estão nos céus, fazendo do Reino de Deus um reino celestial - o Reino dos Céus.

(2)    O Amilenismo Agostiniano, que também é o ponto de vista defendido pela Igreja Católica Romana, considera o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento com respeito ao Reino, como sendo o reinado de Cristo do trono do Pai sobre a Igreja, que está na terra.

Um terceiro seria a junção do clássico e agostiniano, que considero adequado.

Características principais do Amilenismo:

1. Segunda vinda de Cristo inaugura o tempo final para crentes e não-crentes de maneira final (não intermediária como dizem os milenistas).

Defensores de um milênio literal, pré-milenistias históricos e dispensacionalistas, entendem que após a Segunda Vinda de Cristo haverá um reino de paz de Cristo na terra. Nesse período a terra não estará restaurada. A sede desse reinado será Jerusalém.

2. Os mil anos de Apocalipse 20 são simbólicos e não-literais.

Defensores das posições apresentadas no tópico, 1, defendem uma interpretação literal da passagem.

3. As duas ressurreições do texto (Ap 20) não são físicas.

Simon Kistemaker escreve “  A primeira ressurreição, então, é uma ressurreição espiritual, do mesmo modo que a segunda morte é uma morte espiritual”[1].
As correntes apresentadas no tópico, 1 , interpretam literalmente.

4. Interpretação de um modo geral não literalista

Os amilenistas são acusados de espiritualizar tudo. E isto não é verdade. Porém é verdade afirmar que os amilenistas respeitam o gênero de cada livro, logo, interpretando história como história, doutrina como doutrina e livro apocalíptico-profético como tal. Exemplo: O livro de Apocalipse exige uma leitura do contexto e consequentemente da mensagem que estava sendo transmitida por meio dos números, imagens, cores, símbolos e personagens. É de consenso entre os amilenistas que há no livro de Apocalipse elementos futuros como a Segunda Vinda de Cristo, Juízo Final e Novo céu e Nova terra e etc.

5. Pessimistas quanto ao futuro da Terra e da humanidade.

Nesse ponto eu vejo dois grupos de amilenistas:

Primeiro grupo, os pessimistas - entendem que as tribulações vão se intensificar e o mundo se tornar um lugar mais difícil de viver, mesmo com o evangelho sendo pregado.

Segundo grupo, os otimistas - acreditam que embora haja aumento de perseguição e tribulação no mundo e contra a igreja a pregação do evangelho de Jesus Cristo produzirá transformações em todas as camadas da sociedade. As tribulações sempre estiveram presentes na história do cristianismo, contudo o mesmo sempre deixou marcas profundas e produziu transformações na sociedade.

6. Iminência da segunda vinda.

Quanto à iminência também não a consenso.

Há aqueles que defendem que Jesus virá a qualquer momento. É  que o Rev. Leandro Lima e Heber Carlos Jr defendem no vídeo postado no youtube  “Academia em Debate 47”. E outros que defendem que antes da volta de Jesus alguns sinais que ainda não se cumpriram precisam se cumprir, como exemplo o surgimento do anticristo. Vale lembrar que os amilenistas são pós-tribulacionistas.


MAPA AMILENISTA





[1] Kistemaker, Simon. Comentário do Novo Testamento, pag 702. Apocalipse, 2º Edição. Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 19 de março de 2015

ACERCA DOS NOVOS CALVINISTAS



O tema é muito pertinente uma vez que acaloradas disputas e acusações faz parte do cotidiano, principalmente virtual. Sem contar nos rachas eclesiásticos Brasil a fora.

A expressão "Calvinismo" provavelmente foi usada pela primeira vez em 1552, numa carta do pastor luterano Joachim Westphal, de Hamburgo. E sem duvida Calvino não era calvinista. Porém, quando se fala em calvinismo a carga toda recai nos ombros do francês ( João Calvino ) nascido em Noyon, 10 de julho de 1509  Genebra, 27 de maio de 1564. De fato Calvino tinha uma mente extraordinária, piedade encantadora e escritor pra lá de habilidoso.  Até mesmo o teólogo holandês Jacó Armínio (10 de outubro de 1560  19 de outubro de 1609) disse acerca de Calvino na Carta escrita a Sebastian Egbertsz, "Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos”. Os seguidores de Calvino e Armínio ( quando Calvino morreu Armínio tinha 4 anos de idade ) transformaram os mesmos que nunca se conheceram em inimigos.

Mais quais são os requisitos para ser um calvinista?

Ter lido as Institutas de Calvino e seus Comentários? Ler e professar crença nas confissões? Quais confissões? De Guanabara? Francesa? Escocesa? Inglesa? Belga? Helvética? Westminster? Batista? Ou os cânones de Dort? Ou, além disso, tem que crer nos 5 ( nem 5, nem 50 ) PONTOS DO CALVINISMO? Ou se declarar cessassionista? Não podemos negar a parte da história que trás alguns reformadores e puritanos como continuístas.
Não vejo o calvinismo de forma monolítica, seja histórica ou teologicamente. Nunca existiu um “ calvinismo “ e sim “ calvinismos” no “meio” ou “entre” os “ismos” qual o verdadeiro?. Quanto a personagens calvinistas temos como exemplo Richard Baxter (Rowton - Chester, 12 de Novembro de 1615  Shropshire, 8 de Dezembro de 1691) líder puritano inglês, sacerdote, escritor, a quem Dean Stanley chamou "o chefe dos protestantes intelectuais da Inglaterra “defendia um calvinismo moderado. No mesmo ele defendia que Deus escolheu certo número de pessoas, sem rejeitar aqueles que se achegassem a ele ( Deus ). Contudo o mesmo é chamado de Calvinista por tudo e por todos. Pode isso?

Na atualidade temos visto posicionamentos de pastores calvinistas sobre assuntos tidos como característico da igreja reformada ( mas, que igreja reformada? Pois existe várias com aspectos litúrgicos e teológicos diferentes) completa ou parcialmente diferentes. Gerando assim fúria, nos mais ou menos “ortodoxos”. É importante observar, para espanto, que o tema “ser ou não ser” calvinista, “é ou não é” calvinista tem gerado perseguição, quando não, cassação de mandato. Pois, ou se ajusta acerta escola de interpretação calvinista adotada pela suposta maioria ou está fora de cena, logo não é digno de receber o título “ Calvinista”. Calvino chora.

E quanto aos Novos Calvinistas?

Os tais têm sido chamados de “híbridos”(ou seja, um ser que resulta da mistura de dois ou mais elementos) por calvinistas antigos que entende, que calvinista da gema, original, tem que ser cessassionista e membro de igreja reformada. Os novos calvinistas são em sua maioria de igrejas pentecostais. Destaque para Assembleia de Deus. Em minha última viagem à Brasília, ao chegar à Livraria Evangélica me surpreendi com o número de pastores assembleianos comprando material reformado e se declarando calvinista.  

É verdade que muitos dos novos calvinistas e alguns deles nem sabem ao certo o que isso significa, têm entrado em disputas, principalmente, na internet, sem contar o clima de guerra que alguns criam em suas congregações ( pentecostais e/ou neopentecostais, e históricas ) contribuindo infelizmente para uma aversão cada vez maior ao calvinismo.
Por outro lado, não acredito que para ser calvinista tenha que ser membro desta ou daquela denominação dita histórico-reformada.


Aos novos calvinistas aconselho como base de conduta a postura do calvinista e Rev. Geremias do Couto, Assembleia de Deus, que em entrevista ao site Teologia Pentecostal demonstrou maturidade, equilíbrio, espírito de paz, amor pela Palavra e por seus irmãos, além do que lhe é peculiar, voz pastoral.

Taciano Cassimiro, escritor,colunista e líder da Igreja Presbiteriana em Tailândia, Pará.
Bacharel em Teologia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

DICA de LIVRO " Ortodoxia Humilde "

Por Taciano Cassimiro

O livro de autoria de Joshua Harris e Eric Stanford. Publicação VIDA NOVA 2013, 96 Pg.
Escrito em linguagem simples e cheia de vida transmite uma mensagem muito pertinente no tocante o amor, apego e necessidade urgente de defender a verdade, sem, contudo, deixar de ser humilde.

Livro de quatro capítulos:
    1.    Sua atitude é importante
    2.    Com lágrimas nos olhos
    3.    O arrependimento começa por mim
    4.    Vivendo pela aprovação de Deus.

De forma muito clara o autor ensina que é possível ser ortodoxo, sem ser chato, tolo e arrogante. Pois devemos compartilhar a verdade com humildade e amor. Exemplos como o de Paulo que em sua ortodoxia, luta contra os falsos mestres visando o arrependimento e salvação dos mesmos. Tal exemplo deve ser seguido.

Trechos do livro:

“ Conhecimento sobre DEUS que não se traduzir em adoração a ele em palavras, pensamentos e atos logo se tornará uma exaltação do próprio ego. E, por isso, atacaremos qualquer um que ameace nosso minúsculo reino do ego”.

O pastor Greg Dutcher diz – “ Passamos do limite quando estamos mais focados em dominar tudo que diz respeito à teologia do que em ser dominado por Cristo “. E como é fácil passar desse limite.

Quem deve ler?

Pastores, presbíteros, diáconos, professores de Escola Dominical, teólogos e estudantes de teologia.

Em fim, Todos que se afadigam nos estudos, e que amam a verdade e lutam em sua defesa.

“ Quando conhecemos a verdade sobre Deus – seu amor e poder, sua grandeza, santidade e misericórdia -, ela não nos torna arrogantes. Ela nos deixa maravilhados. Ela nos deixa deslumbrados com a verdade. Ela nos deixa humildes na presença da graça”.


domingo, 28 de dezembro de 2014

ESTUDO DO CAPÍTULO I DA CONFISSÃO DE FÉ ESCOCESA – 1560

Ministrado na Igreja Presbiteriana de Tailândia
Taciano Cassimiro
27/12/2014

Tema: De Deus

CAPÍTULO I DA CONFISSÃO DE FÉ ESCOCESA
De Deus

Confessamos e reconhecemos um só Deus, a quem, só, devemos apegar-nos, a quem, só, devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só, devemos depositar nossa confiança. [1] Ele é eterno, infinito, imensurável, incompreensível, onipotente, invisível; [2] um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. [3] Cremos e confessamos que por ele todas as coisas que há no céu e na terra, visíveis e invisíveis, foram criadas, são mantidas em seu ser, e são governadas e guiadas pela sua inescrutável providência para o fim que determinaram sua eterna sabedoria, bondade e justiça, e para a manifestação de sua própria glória. [4]

I.                  A quem devemos confessar e reconhecer como Deus?

“ Confessamos e reconhecemos um só Deus...”

Dt 6.4  - Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.

1 Co 8.6 -  todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.

Is 44.5,6 -  Um dirá: Eu sou do SENHOR; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do SENHOR, e por sobrenome tomará o nome de Israel.  Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.

A esse único Deus vivo e verdadeiro devemos:

·         “ apegar-nos “ – Jo 6.55 : Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

·         “ servir “ – Ef 6.7: Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor. Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens. 

·          “ adorar “ – Ex 20.1-6 :   Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

Jo 4.24 : Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. 

 “ confiar “ – Sl 118.8 : É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem.
                     Sl 118.9 : É melhor confiar no Senhor do que confiar nos príncipes. 

II.                Quem é Deus?

Paulo depois de falar de Deus, sua soberania e ação na história, diz em Rm – 11.33   Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34   Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35   Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? 36   Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

De fato a Bíblia nos mostra a grandeza de Deus, Ele é o Outro, além de nós. Não é fácil descrever quem é Deus, como Ele trabalha. Mais uma coisa podemos dizer Ele sabe trabalhar na vida do seu povo.

A Confissão Escocesa faz uma lista absolutamente bíblica de quem é Deus atentando para seus atributos:

      ·         Eterno - 1 Tm 1.17
      ·         Infinito – 1 Rs 8.27
      ·         Imensurável – 2 Cr 6.18; Sl 139.7-12
      ·         Incompreensível – Gn 17.1-27; 18.1-15
      ·         Onipotente – 1 Tm 6.15; Dn 6.26
      ·         Invisível – 1 Tm 6.16

É importante notar que os teólogos escoceses preocuparam-se em reafirmar o ensino monoteísta das Escrituras Sagradas, a um só Deus, e ao mesmo tempo enfatizar sua triunidade “...um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.

Mt 28.19  - Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
1 Jo 5.7 -  Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um.

A Confissão Escocesa segue o fundamento bíblico, histórico e confessional quanto à natureza de Deus, seus atributos e triunidade

O Credo dos Apóstolos documento cristão desenvolvido a partir do primeiro século, mais que somente alcançou sua forma por volta do século VI têm em seu conteúdo o ensino trinitário:

 “Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém”.

III.             As obras de Deus

Criação, Deus Criador
·         Ele é o criador de todas as coisas – Gn 1.1; Hb 11.3; Cl 1.15-16; Gn 1.1-31
Criou os seres espirituais (anjos); os corpos celestes ( Sol, Lua e Estrelas ); a natureza ( aves, peixes, árvores ); e criou o homem.
    Preserva, Providencia do Criador

          ·         A criação em geral é governada

" Um universo sem decreto seria tão irracional e espantoso como um trem viajando na escuridão da noite, sem farol e sem maquinista, e sem nenhuma certeza de que a qualquer momento poderia precipitar-se no abismo "
A.J. Gordon, apud L. Boettner, The Reformed Doctrine of Presdestination, p.21.

At 17.24-28 -  O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.


        ·         A providência do Senhor é inescrutável ( não sabemos os seus caminhos )

           Decretos eternos

·         Seus decretos e fim é fundamentado na sua eterna sabedoria, bondade e justiça, para manifestação da sua própria glória.

Pv 16.4 -  O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.

A Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia afirma que o termo “Decreto” na Teologia indica “aqueles atos da vontade de Deus que:
1)      Representam o seu propósito;
2)      Estavam presentes com ele desde a eternidade passada;
3)      São cumpridos por ele dentro do tempo e do contexto humano;
4)      Determinam o curso da história, coletiva ou individualmente;
5)      Determinam o destino espiritual dos homens e dos anjos.


  
Conclusão

Com trechos das Confissões de Santo Agostinho

CAPÍTULO IV

As perfeições de Deus

 Que és, portanto, ó meu Deus? Que és, repito, senão o Senhor Deus? Ó Deus sumo, excelente, poderosíssimo, onipotentíssimo, misericordiosíssimo e justíssimo.
 Tao oculto e tão presente, formosíssimo e fortíssimo, estável e incompreensível; imutável, mudando todas as coisas; nunca novo e nunca velho; renovador de todas as coisas, conduzindo à ruína os soberbos sem que eles o saibam; sempre agindo e sempre repouso; sempre sustentando, enchendo e protegendo; sempre criando, nutrindo e aperfeiçoando, sempre buscando, ainda que nada te falte.
 Amas sem paixão; tens zelos, e estás tranquilo; te arrependes, e não tens dor; te iras, e continuas calmo; mudas de obra, mas não de resolução; recebes o que encontras, e nunca perdeste nada; não és avaro, e exiges lucro. A ti oferecemos tudo, para que sejas nosso devedor; porém, quem terá algo que não seja teu, pois, pagas dívidas que a ninguém deves, e perdoas dívidas sem que nada percas com isso?
E que é o que até aqui dissemos, meu Deus, minha vida, minha doçura santa, ou que poderá alguém dizer quando fala de ti? Mas ai dos que nada dizem de ti, pois, embora seu muito falar, não passam de mudos charlatães.


Obs. São simples anotações. Sinta-se a vontade para utilizar e fazer as alterações que julgar necessária.